Ontem abriram o postal abaixo copiado. Fiquei de imediato a pensar se era eu que tropeçava nos próprios pés ou a que reparava que outros o faziam. É assim que funciona o meu processador. O simplismo e a desconfiança chamar-lhe-iam peso de consciência. Não será apenas consciência?
Isto teve um efeito útil. Numa próxima Moralidades à quinta-feira abordarei uma menoridade minha - patente e inquestionável para não dar azo a ambiguidades ou subterfúgios. Sem subterfúgios, mas com o refúgio da companhia por ser menoridade comum a muitos que não parecem dela ter consciência - sim, também preciso de sentir-me acompanhada no infortúnio da imperfeição.
Esta necessidade não satisfeita de companhia na imperfeição leva muitos a sentirem-se incompreendidos, aquilo a que chamo a outra forma de solidão. Aprende-se a viver com ela, não disfarçando os defeitos (ou parte deles, vá), assumindo-os. Não nasci ensinada, aprendi isto por observação dos que admirava ou admiro, ainda que incompreendidos.
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Tropeçar nos próprios pés
O problema dos que alicerçam a vida no disfarce julgando os outros estúpidos por contraste com a enorme sofisticação e profundidade que acreditam possuir, é não poderem fugir da consciência: por mais elástica que seja, espelhará sempre a falsidade.