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09/06/2023

Diário

Há regras que parecem valer para tudo na vida, até para os prazeres terrenos. Uma delas a que demonstra só estar absolutamente convicto aquele que se contenta com pouco. Conhecer pouco dá enorme segurança e auto-confiança. Preconiza grandes triunfos, grandes declarações de vitória. Por contraste, vivam a ingenuidade, a curiosidade e a insatisfação, essas pechas dos incuráveis falhados e derrotados que vão experimentando.


A de cima é só uma nota do pensamento reiterado nas Comezinhas. Os de baixo serão o diário que sair do que foi. Não sem antes contar que há pouco questionei se seria desejável, em termos absolutos e não na relação com o que os outros pensam ou deixam de pensar, continuar a expôr tanto umbigo ou, pelo contrário, virar-me em definitivo para fora, para o mundo, refreando as referências pessoais. A verdade é que por vezes não confio no meu julgamento. Disseram-me que faço isto de uma forma equilibrada, revezando o mundo comigo. Vou confiar.


Hoje acordei às oito, creio. Fui carregar o cartão das entradas da piscina e fiquei a saber que o posso fazer na plataforma online. Bom saber. Em seguida parti para as compras. Ontem inventei um pretexto para gastar (pouco) dinheiro. Precisava (enfim, verbo mais do que mentiroso) comprar mais um par de canecas – como é sabido, cá em casa há tendência para a viuvez das canecas e xícaras, até já tentei um ménage à trois, mas partiram-se as três. Bem-feita. Enfim, a verdade é que adoro xícaras e canecas de café e apetece-me sempre comprar novas.


Como é habitual nestas andanças dos artigos para casa fui de boleia com a minha mãe. Seguimos no carro com a minha mãe a contar o que ouviu ontem ao major-general Arnaut Moreira sobre o ataque à barragem Kakhovka: as quatro razões porque considera ter sido acção russa, uma delas a de já ter sido táctica usada pelos soviéticos (por Estaline noutra barragem também na Ucrânia, não muito longe) e chineses (no próprio país). Até o major-general Agostinho Costa não tem dúvidas de onde veio a sabotagem. Contou-me também que anda a ler o livro A Casa dos Galos – A História de uma Família Ucraniana, de Victoria Belim, que aliás me mostrou no dia em que comprou. Uma forma de conhecer a História das gerações ucranianas vista por dentro.


compras


Já na loja Espaço Casa relatei muito superficialmente o que li ontem sobre AI. E céleres voltámos a atenção para assuntos prementes como mesas de ferro para varandas, sertãs, canecas e floreiras.


De lá trouxe um conjunto de quatro xícaras de café: cada qual com a sua cor, cada qual com a sua expressão comum do português. Creio que as vou oferecer. Na loja anunciava-se a preferência pelo que é português. A sertã é made in Portugal; o rato é made in República Popular da China.


gato


Seguimos para a Hôma, antigo De Borla, de onde há anos trouxe o bule vermelho que aparece nas fotografias em cima da placa do fogão. E lá me apaixonei hoje pelos dois penicos Certified Coffe Expresso, Since 1976, feitos canecas. O verde fica para mim, o preto para o Nuno. Beberico o primeiro café nele servido enquanto escrevo este post e o Nuno, vá-se lá saber porquê ouve música portuguesa e entre ela Abrunhosa, que não era coisa muito dele. Isto da convivência tem as suas peculiaridades, por osmose começamos a ganhar hábitos um do outro. Qualquer dia apanho-o distraído a ouvir a smooth fm, tal como eu passei a usar palavras como amiúde ou expressões irónicas como nós ambos os dois ou a lavar a xícara da manhã logo após o pequeno-almoço. Só ainda não se me contagiou o bom hábito de organizar os ficheiros nos computadores – mas, caramba, não fui à tropa. Essas coisas aprendem-se lá, não é? Um aparte, a experiência passada e presente leva-me à seguinte generalização: há diferenças essenciais entre homens que cumpriram serviço militar e os que não, em sentido abonatório dos primeiros. Sim, sei. Deve ser injusta como todas as generalizações. Mas cada um sabe de si e sente como sente.


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salada


De resto, passámos pelo supermercado e comprei os ingredientes para a salada do jantar de hoje. Temos de compensar os churros de quarta-feira. Prato cheio.