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08/10/2022

Lido


 



Enquando auto-nomeado capitalista, como é que descrevia a Rússia de Putin? Politica e economicamente


Chamar-lhe-ia uma cleptocracia. Isto porque não há uma única pessoa que vá para os serviços do Governo sem ter o objetivo de roubar dinheiro. E estamos a falar de um espetro que vai desde os polícias de trânsito até ao Presidente do país. Assim sendo, eu diria mesmo que se trata de um Estado-máfia e até de um Estado fascista, de certo modo, já que o Governo reprime os povos de maneira a permitir-se a si próprio roubar todo o dinheiro.


Basicamente, as profissões mais bem pagas na Rússia são, por exemplo, estar nos departamentos da Polícia, no KGB... Qualquer agência governamental que tenha o poder para fazer das pessoas reféns. São esses os cargos que acabam por fazer mais dinheiro, até porque muitas vezes obrigam à prática de raptos e coisas semelhantes...


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O seu advogado, Sergei Magnitsky, foi torturado, privado de cuidados médicos e encontrado morto na sua cela de prisão em Moscovo, logo após ter descoberto a tal fraude dos 230 milhões de dólares de que falávamos há pouco... Houve uma justificação legal para ele ter sido preso? 


Não. Não houve. Foi tudo fabricado. Ele não fez nada e não havia sequer um argumento legal que eles pudessem ter apresentado para justificar a prisão dele. Vieram atrás de mim e atrás dele, foi tudo feito com base em motivação política.


Na sequência da morte de Magnitsky, em 2012 o Congresso dos EUA aprovou uma lei, com o mesmo nome, que impôs sanções a uma lista de funcionários russos que se acredita serem responsáveis por graves violações de direitos humanos, congelando quaisquer bens que detenham nos EUA e proibindo-os de entrar nesse território. Quão eficazes são essas sanções e o que é que está a ser feito atualmente, durante a guerra de Putin, através do Ato Magnitsky? 


Estas sanções são bastante efetivas e são-no de duas formas diferentes: primeiro, são devastadoras para a pessoa que está a ser sancionada, porque não só os seus ativos ficam congelados nos Estados Unidos como no resto do Mundo nunca mais ninguém lhes quererá tocar, porque a verdade é uma: ninguém quer violar sanções dos Estados Unidos; segundo, elas são ainda mais poderosas, não para quem é sancionado, mas para quem tem medo de ser sancionado. Cria-se quase um clima de medo à volta dos "bandidos", que começam a pensar que podem ser os próximos.


O que eu fiz foi andar atrás de membros do congresso e de membros do Parlamento Europeu, do Parlamento britânico, do Parlamento canadiano, reunindo-me com cada um deles individualmente e explicando-lhes a lógica das sanções, quão importantes e quão úteis elas eram. Ao fazer isto, consegui criar um modelo do Ato Magnitsky, que está agora a ser usado de cada vez que a Rússia faz algo terrível novamente. Congelam-se os bens e proíbem-se os vistos. O Ato Magnitsky foi a ideia original que nos levou até onde nos encontramos agora em termos de sanções.



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A estratégia Global Gateway já está a produzir resultados no terreno. Por exemplo, a UE está a financiar novos corredores económicos e infraestruturas energéticas para aproximar os Balcãs Ocidentais da nossa União e concretizar o seu sonho europeu. Com os investimentos em energias renováveis, hidrogénio verde e cadeias de valor das matérias-primas, estamos a construir relações mutuamente vantajosas com países como a Namíbia e o Chile — para o seu crescimento sustentável e a nossa segurança energética. Outro exemplo é a construção de infraestruturas digitais, como um novo cabo submarino de fibra ótica no Mar Negro, para diversificar o acesso à Internet no Cáucaso e na Ásia Central. A Global Gateway está também a apoiar a construção de fábricas de vacinas de ARN mensageiro no Ruanda e no Senegal e, em breve, na América Latina, a fim de promover a saúde mundial através de transferências tecnológicas avançadas e da resiliência regional.


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