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20/04/2021

Uma moeda por cada lamúria

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Por volta dos treze anos fiz um acordo com a E., amiga de liceu. Chamadas à atenção pela nossa extraordinária professora de Francês, Beatriz Florido – uma senhora, que mais tarde veio a ser minha professora de Português, resolvemos que por cada palavrão que dizíamos, tínhamos de dar uma moeda à outra - já não me lembro se a moeda era de 50 centavos, 1 escudo, ou 2 e quinhentos. Puxando pela memória, creio que graduávamos o deslize e os efes eram os mais taxados. Ela vinha das praias de Gaia e do ambiente de pescadores. Eu tinha vivido em Felgueiras, onde ainda mais do que no Porto vernáculo é vírgula, e estudava no ensino público. Tudo estava explicado. Apesar de em casa não me atrever – tenho amor à pele e a vida ter-me-ia corrido muito mal se me atrevesse -, mal me apanhava livre, era um ver se te avias.


Sempre gostei deste jogo das moedas e da lata das moedas. Uma moeda por cada asneira, deslize, falta, qualquer coisa assim. Usei-o noutras circunstâncias com outras pessoas.


Vem isto a propósito de ler lido os últimos dias das Comezinhas. Fiquei com vontade de pôr um link ali na barra lateral direita com o letreiro a dizer: Uma moeda por cada lamúria.