Acordei e chovia, depois de abrir as janelas e dar de comer ao gato, pensei que quero fazer uma declaração de amor ao Porto. Comecei a pensar no que escreveria e pouco depois as lágrimas correram - choro com o que penso e escrevo, é um doce drama que me anima. Impressiona-me a ideia de ser capaz de ter tamanho amor a uma cidade. Vaidosa das ruas, árvores, casas e dos recantos mas, sobretudo, das pessoas que as habitam. Um dia, com jeito, empenhando o melhor que possa fazer pela escrita, direi o que me vai na alma e coração em homenagem ao Porto. Vergada de respeito pelas suas gentes.
De resto, olhei à volta, vagueei por aí e pensei: não, não vou deixar que o meu mundo se amesquinhe na bazófia de almas ressentidas e de dedo em riste. É deixá-las revelarem-se insignificantes em português insípido e avaro, corroerem-se a si próprias no seu veneno.
Antes de recomeçar a trabalhar, fui aos rascunhos do blogue e recuperei a nota seguinte por publicar há dias. Há dois tipos de opiniões: as que expressam o que se pensa sobre o assunto e as que o que mais querem expressar é que a minha é mais comprida do que a tua, sou tão mais esperto do que tu e eu e o meu gueto temos tanta necessidade em maldizer-te (e tão pouca capacidade de nos vermos ao espelho). Claro que todos caímos pontualmente neste tipo de opinião, mas não haja dúvida que há tendências que revelam a natureza dos autores.