Sou licenciada em Direito, trabalhei quatro anos em tempo parcial como advogada. Afastei-me do Direito há quase 20 anos. Sei pouco de leis e tribunais. Mas o suficiente para saber que a ladainha do ‘Ministério Público trabalha mal’ serviu e serve um único propósito: o de Portugal continuar a ser a choça que é e não pretende deixar de ser.
Também eu usei esta ladainha da comunicação social no tempo da faculdade. É o 'julgómetro' de quem acha que os tribunais funcionam como os romances dos filmes e séries da televisão. Não há procedimentos, não há factos, não há provas, nem condicionantes que não sejam questionados por critérios – não jurídicos – mas do mundo da fábula e da ficção: tudo se pode argumentar para criar enredo.
É assim nos tribunais, tem sido assim na política. Pior, tem sido também assim no próprio seio dos tribunais, onde esta narrativa de terra queimada come e mina o trabalho sério do MP por dentro. O desacreditar os profissionais e instituições serve a todos quantos se assustam com a ideia de um país responsável e credível. Serve a todos os que acham que isto até nem está assim tão mal, e que temos que ser uns para os outros quando amigos, mas exigir o impossível a quem faz bem e o melhor possível.
A cada português que me venha dizer que as acusações da Operação Marquês caem por terra por incompetência do Ministério Público, responderei que tiveram entre 2005 e 2011 o Primeiro-Ministro que mereceram.
Dito isto, e quanto às decisões de Ivo Rosa: é aguardar que a Relação ponha os pontos nos ‘is’.