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10/04/2021

Justiça

A ladainha de hoje, como a de ontem, como a de anteontem face a quem se limita modestamente a constatar o evidente, é a habitual conversa do populismo (noutras matérias a do negacionismo) ou qualquer outro 'ismo' à mão de semear de quem está sempre na crista da onda da sintonia com a decrepitude do país.


Cada tentativa de mostrar a choça na qual vivemos, cada movimento no sentido de denunciar a injustiça, cada voz que se levanta para mostrar a podridão do país, é sempre apelidada de populista, palerma, pateta. Os que denunciam a injustiça são pobres histéricos desprovidos da inteligência, com que são bafejados apenas os benfeitores dos oprimidos que caem nas redes da Justiça.


Tudo a pretexto da defesa do indefensável e da manutenção não do Estado de Direito – inquestionável -, mas da aparência de Estado de Direito. Essas vozes cheias de nojo pelos lunáticos populistas, de dedinho mindinho esticado, tão moral e intelectualmente superiores, sentem-se confortáveis na aparência, na imagem de país civilizado. Como se soubessem o que isso é: confundem civilização com alcofa e devaneios de Justiça doce e meiga, nem que seja à custa da verdade. Não sabem que a Justiça, como a verdade, é cega e dói.