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12/04/2021

Nacional porreirismo

O texto abaixo estava guardado há meses nos rascunhos, talvez por não estar certa se era publicável. Como hoje estou sem veia para as Comezinhas, segue este mesmo, que até parece vir no espírito dos dias. Se descobrir mais algum postal indeciso repousado em banho-maria, talvez o faça ver a luz.


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Como muitos, digo há trinta anos que os portugueses são invejosos. E são. Mas mais grave do que isso é uma grande percentagem ser trapaceira ou cega militante.


Denunciar corrupção, má gestão dos dinheiros públicos, delapidação do património público ou iniquidades e arbitrariedades no sector público e privado não é populismo, não é inveja. É um dever cívico, por muito que custe a quem gostaria de manter Portugal do lodaçal do costume.


Acho muita piada ao faz de conta e ao passar o paninho quente pelos desvarios com os dinheiros públicos. A verdade é que muitos portugueses sentem-se bem no meio da intrujice na esperança que não se dê pela sua pequena trapaça. E verdadeira inveja têm de não serem capazes das grandes golpadas dos seus heróis. No fundo, a maioria ambicionava ser o dono disto tudo, como Ricardo Salgado, um dos homens mais admirados, respeitados e invejados antes da queda.


Os nossos políticos são maus? Não são piores do que a população de onde emergem. Se querem fazer diferente eduquem a população no respeito pelo outro e na honestidade. Resta saber se precisamos de importar pais e professores para fazerem o trabalho ou se a voz e a vontade dos portugueses que estão fartos da vilanagem se sobrepõe ao nacional porreirismo.