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27/12/2024

Firmeza




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Imagem do Google.


 




Rodeada do estardalhaço das soberbas certezas segues pequena a regar as tuas plantas sem esplendor. Resistem ora viçosas ora mortiças no ciclo eterno da vida. Dás o que pedem, não o que exigem. Aprenderam a esperar água e cuidado. Não as afogas em jactância com medo que te deixem só. Não as subornas com elogios oportunistas para esconder a solidão. Não te vês livre nem escondes as tristes da má figura, fazem parte do jardim. Um dia darão mostras de beleza ainda que discreta.


Não crês na exibição artificial da gritaria de cor das flores. Quando vêm, há alegria. Quando não, preparas e aguardas melhores dias sem mentiras. Demoram a chegar e quem sabe farão companhia por tempo prolongado. O verde da vida domina como no jardim sóbrio da casa que idealizavas nos sonhos da meninice. Nunca a terás na dimensão e fulgor do devaneio de quem ainda tinha muitas décadas por viver. Hoje as décadas escasseiam, os sonhos mingaram à medida que a erva daninha da dor invadiu o teu peito.


Como o amor as plantas são a razão do possível. O sentimento que o Universo permite à imensidão do desejo. Medida do sonho comprimido, quando não estraçalhado pela incompreensão. Mas não sucumbirás à agressão. Viverás menos do que poderias e merecias, mas em verdade. Firme só contigo e na companhia de quem respeita o outro.


 


Publicado inicialmente na plataforma Medium no dia 12 de Novembro de 2024.