Pesquisar neste blogue

26/12/2024

Diário 10 de Novembro de 2024








 












No início da semana li algumas histórias aqui no Medium uma vez mais acerca de pintura. Sobre os futuristas do primeiro quartel do século XX, uma análise à Persistência da Memória de Salvador Dalí, a forma como Ernst Ludwig Kirchner captou os sinais pré-guerra na Alemanha e a simbologia na história da pintura com especial destaque para o papel de dois elementos que me são caros: limões e pássaros. Mais adiante voltarei a referir as aves.


Nas leituras em que os dedos sentem a rugosidade das palavras dei por mim uma vez mais a descobrir coincidência nas conclusões há muito tiradas pelos grandes nomes da literatura, no caso, russos e franceses. Será pretensioso, mas posso permitir-me pensar: se cheguei à mesma ideia desconhecendo estas páginas é porque a vida e o discernimento me indicaram um caminho válido e de valor. Não serei tonta de todo.


Na quarta-feira os norte-americanos decidiram o que queriam para as suas vidas. E como já manifestei aqui no Medium a minha opinião, hoje não vou acrescentar mais nada.


Em termos de trabalho tudo decorreu com relativa normalidade e a vida quotidiana foi-se fazendo um pouco arrastada de ânimo. Ainda falta aquela alegria que em regra me estimula a agir de modo mais crente. Talvez não haja de facto motivos para acreditar e seja preciso lidar com a realidade com mais frieza. Mesmo os sonhos ou devaneios estão amornecidos pela razão.


Na sexta-feira assinalo ter começado a manhã a ouvir insistentes bicadas nos vidros da cozinha que deixaram o Ritz estacado de atenção. Desde o fim-de-semana passado ouvia essas pancadinhas no vidro pela manhã, mas na sexta fui confirmar a partir da varanda do quarto. E lá estava ele na janela da cozinha, um pássaro preto que não consegui identificar por ter voado de imediato, mas do tamanho de um melro. Vinha avisar dos riscos que um dos meus corria. Sem consciência disso apenas sentindo estranheza passou o dia e à noite senti-me descontraída. Fomos jantar um belíssimo cozido à portuguesa num pequeno restaurante aqui da rua.


Capturar (18).JPG


Cozido à portuguesa.


No Sábado de manhã vieram entregar e montar o pequeno e confortável sofá do escritório do Nuno. À tarde demos uma arrumação a casa e à noite soube que o meu irmão N. tinha tido um acidente de carro na sexta. Na auto-estrada um condutor distraído com o telemóvel bateu por trás. Ninguém se magoou, felizmente. O carro de serviço do meu irmão foi para a sucata.


Hoje, Domingo, conhecemos o M. que veio para dar início às aulas de piano com o Nuno. Entenderam-se bem e o miúdo pareceu ter vontade de voltar apesar de ter passado meia hora seguida a fazer repetidas escalas de três oitavas com o Nuno a insistir que respeitasse o tempo, não acelerando. No resto da aula houve experiência de pequenas melodias e a introdução da segunda mão. No fim para descontrair sugeri bolachas Oreo e apresentei o Ritz ao M. O gato não fugiu e fui bombardeada com perguntas acerca da história do bichano. À moda de uma criança de dez anos cheia de curiosidade. A meio das bolachas aproveitei para fazer cena. Vamos ao importante para saber se vai ou não haver mais Oreo no futuro: qual o teu clube, M? Benfica. Mau. Ahh, que fazer? Pronto, estás perdoado, assim hoje nesta casa há representante de cada um dos três grandes. Não se fala mais nisso.


Publicado na plataforma Medium a 10 de Novembro de 2024.