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1. A confusão generalizada entre bom senso e humanidade e conversa argumentativa de psicologia de algibeira. O hábito que se começa a espalhar de tomar por tóxica qualquer crítica ainda que fundamentada e justa só por não obedecer a critérios de supostas habilidades sociais e empatia. O favorecimento hipócrita de frases feitas e citações pseudo-bondosas muito generosas, muito altruístas e sempre a apelar ao postiço sentimento de gratidão. O disfarce de atitudes nocivas com falsa generosidade.
2. A fealdade grosseira retocada convertida em ícone de beleza e elegância. A distorção da verdade transformada em ideia aplaudida por efeito onda da ignorância. A promoção de tudo quanto não presta. A legitimação da agressividade em causas de supremacia ideológica e como suposta manifestação de coragem. A inversão total do sentido da palavra educação. O rasca elevado à categoria de modelo ou exemplo a imitar.
3. O desdém pelo conhecido e popular, seja manifestação das artes plásticas, música, literatura ou destino de viagem. A necessidade pirosa e débil de mostrar exclusividade no gosto aderindo às referências de grupelhos pseudo-eruditos. Por ondas de mimetismo mencionam os mesmos artistas, escritores e destinos para alçar-se ao patamar de pessoas de gosto sofisticado ou requintado. Quanto mais pirosos e débeis, mais necessidade têm de desmerecer as manifestações artísticas e destinos de viagem mais conhecidos ou democratizados. Gente cada vez mais deseducada a perorar, dando-se como exemplo de sofisticação. Perfeitos possidónios.
4. A ditadura imposta por bullying psicológico das grandes empresas prestadoras de serviços. A desregulação completa do mercado com prejuízo dos consumidores cada vez mais dependentes e manietados por técnicas de esbulho tecnológico. A difícil sobrevivência de quem pauta o comportamento pelo cumprimento da lei e respeito pelo próximo e o cada vez mais sucesso dos gananciosos que atropelam os direitos e dignidade alheios. A vitória da escória.
5. A argumentação em vácuo ao infinito que destrói tudo quanto tem valor. A elevação da retórica a razão absoluta até à sua destruição integral.
6. A arte fabricada por Inteligência Artificial, da poesia à música. Os sonetos de geração espontânea. A intrujice num tempo de transição até este avanço tecnológico ser integrado como ferramenta banal no acto de criação.
7. A parelha invencível do mundo virtual. O casal perfeito com mais audiência nas plataformas digitais dos tempos modernos para argumento de uma série em streaming.
- Um homem troglodita, suposto defensor da tradição e bons costumes não só recusa constatar as agressões físicas e morais sobre os mais frágeis, como as pratica e delas se orgulha. Cultiva agressividade, vive e ataca em matilha sempre encostado, gabando-se de ser corajoso. Enaltece a coragem de quem tem ou teve o vento favorável e intriga contra quem está na mó de baixo no intuito de obter os favores de quem explora e tira proveito dos agredidos, ludibriados e derrotados. Vale tudo para vencer e alcançar o poder para si e a sua corja numa lógica de partida de futebol onde todas as regras de desportivismo são quebradas. A excitação irracional levada ao extremo. O gosto por barricadas do nós contra eles. O gosto dos elencos dos melhores em contraposição aos piores. O mundo a preto e branco por imposição da lei da selva. A lei que vale é a da distorção do discurso, agressão verbal, oportunismo e dissimulação. Vende muito.
- Uma mulher vendida, suposta defensora das minorias, diz-se rodeada de vítimas a quem alegadamente acode e em discurso mantém num permanente estado de menoridade e fracasso para crescer como benfeitora: são os amigos homossexuais muito injustiçados e depressivos, os cãezinhos abandonados e famintos acolhidos, as amigas perseguidas pela moral religiosa ou quaisquer outros infelizes que confiram grandiosidade (acha ela) à sua natureza tolerante e compassiva. Medíocre e habituada a viver dos favores vai singrando à custa do falso elogio e do encosto. Pobre de espírito cria atrito de forma dissimulada e cobarde para obter protagonismo e vive por conta de agressores que bajula, com independência zero. Só ataca imbecis ultra-conservadores se estiver a falar de cima para baixo, isto é, se os souber inofensivos ou incapazes de se fazer ouvir com peso, e vive a estender a mão a quem está acima, os verdadeiros agressores. Adere a todas as modas e balelas de psicologia barata. Comercializa traumas próprios e de alegadas vítimas. Finge-se de vítima para conseguir protagonismo e audiência. Vende muito.
Obrigada por lerem. Bom fim-de-semana.
Publicado inicialmente na plataforma Medium no dia 15 de Novembro de 2024