A minha varanda.
Foi uma semana intensa. Com variações emocionais e alguns desenvolvimentos importantes. Começando pela vida lá fora, vou acompanhando através de leituras de artigos na imprensa e no Medium e poucos comentários na televisão a campanha para a eleição presidencial norte-americana.
De forma o mais simples possível, intencionalmente sem entrar nos temas da campanha, pergunto-me como se a eleição fosse em Portugal: qual a dúvida? Às vezes é preciso pôr a questão do carácter acima de tudo, até da economia. E mesmo aí dizer-se que Trump é mais forte é uma balela como outra qualquer. Como os muitos anátemas que são lançados sobre a presença de Kamala Harris no espaço político, diminuindo-a sem fundamento racional, antes com base numa série de tretas acerca do sexo dos anjos em discurso articulado pelos milhares de comentadores da comunicação social e criadores de conteúdo nas plataformas digitais que parecem debitar julgamentos dos algoritmos da IA manipulados pela Rússia e China para favorecer Trump, a troco do pagamento do comentário. Incapazes de produzir pensamento independente e razoável de tão ensaboados pela lavagem cerebral. O fundamental é mesmo isto: como é possível gente educada ter dúvidas em quem vota? E ao contrário do que é muito propagado não estou nada convencida que os eleitores se dividam entre gente informada e adeptos das teorias da conspiração. Claro que os há, porém existem ultra-conservadores bastante instruídos que se comportam como trogloditas nos Estados Unidos como em Portugal. Lá como cá pretendem fazer prevalecer a lei da selva. Pensam e agem abertamente ou de forma camuflada com grosseria total manipulando as massas e revendo-se no discurso do tirano imbecil Trump. Um absoluto escroque que é preciso combater.
Mesmo os alegadamente moderados fazem exigências irreflectidas a Kamala Harris. É impressionante como é sistematicamente questionado o valor e mérito de uma mulher preparada, de provas dadas como política. Tal desconfiança não recairia sobre um homem. Puro preconceito espalhado no mundo inteiro por mimetismo irracional pelas opiniões acerca da candidata presidencial. Manipuladas por quem domina os algoritmos, a forma actual de enganar as massas orientando-as para a tirania.
Mais perto em Valência, Espanha, no dia 29 de Outubro formou-se uma tempestade tal que em poucas horas choveu o mesmo que num ano. Com consequências devastadoras pelas enchentes e destruição provocada: 200 mortos já contabilizados e 1900 desaparecidos (números a actualizar).
A genica de segunda-feira, dia 28, levou-me a ler aqui no Medium posts sobre Van Gogh, Edward Hopper e Felix Vallatton. O primeiro foi uma descoberta dos anos 80 e paixão para a vida pela expressividade da pincelada louca e determinada a marcar a diferença, por dar voz às dificuldades, à austeridade, ao trabalho, ao sofrimento, mas também à beleza da esperança que transcende a incompreensão alheia. O que li na segunda-feira descrevia uma visita ao Van Gogh Museum; senti-me identificada com o texto. O segundo pintor foi para mim um achado da viragem do século quando comprei algumas edições da Taschen: à época seduziu-me como íman e gostei de ler aqui no Medium a interpretação de quatro ou cinco obras do artista. O último, o pintor suíço, foi uma descoberta: atraiu-me não só pela linearidade e inovadora percepção da luz, cor e sombra, como pela importância dada aos ambientes do dia-a-dia. Li também aqui na plataforma, um post sobre Maria Anna Mozart, irmã do famoso compositor. Será que algumas das composições atribuídas a Mozart são da autoria ou co-autoria da irmã? Ao longo da semana também li histórias acerca das dificuldades da experiência bilingue, sobre o amor que vale a pena, aquele que cura as inseguranças pela compreensão, aquele que ameniza as ansiedades pelo apoio. E li um conto que não compreendi por usar várias metáforas. As minhas dificuldades com o inglês são notórias. Terei de relê-lo se o reencontrar; esqueci de o pôr na lista de leitura.
Na quarta-feira troquei emails com a directora da casa de acolhimento de crianças. Estamos a combinar as vindas do M. cá a casa para começar a aprender piano. Aulas informais já que o Nuno não tem formação académica para tal. A ideia será ver se o M. tem vontade de aprender. Estamos esperançosos e expectantes. O Nuno costuma cativar os miúdos e tem jeito especial para ensinar. Quem sabe num ambiente mais descontraído começa por aprender os rudimentos e mais tarde se levar a sério, estuda e pratica em ambiente convencional.
Foram dias de muito trabalho. Há seis dias por mês em que trabalho mais do que nos outros. Dois pares de três dias. Ora esta semana que passou calhou uma dessas alturas. Talvez por cansaço tive uma explosão emocional num fim tarde, de regresso a casa. Uma reacção a pontual falta de atenção do Nuno, que é em regra a pessoa mais delicada que conheço e muitíssimo cuidadoso comigo. Estava sensível e reagi de forma agressiva verbalmente. Acabou tudo sereno e em bem, como é costume.
Neste fim-de-semana prolongado ganhei dois “seguidores” (palavra horrível) especiais e com batotice, já que os ajudei a subscrever o Medium no intuito que me possam ler: a minha mãe e o Nuno. Além dos dois limitei-me a dar o endereço a dois amigos para deixá-los a par das minhas andanças. Lá para o Natal conto a quem me lia habitualmente, quem sabe nas Comezinhas. Pensei até em passar a guardar lá as histórias que escrever aqui no Medium, uma vez que para me continuarem a ler precisariam de subscrever a plataforma. Tenho ido às Comezinhas sem escrever e verifico que tenho visitas quase diariamente. Confesso que isso me deixou espantada e, claro, agradecida. Mas ainda é cedo para começar a guardar lá novos posts. Por enquanto aqui no Medium vou dando os primeiros passos, lendo os outros, escrevendo pouco, republicando alguns textos das Comezinhas e tentando ambientar-me devagar.
A minha varanda.
Além das chamadas telefónicas habituais, troquei mensagens WhatsApp com família e amigos chegados. Enviei fotografias da varanda: árvores, plantas e ervas do gato. A T. mandou-me também fotografia de bonitos cactos. O C. elogiou a “jindungueira” e sugeriu que arranjasse também uma piteira, e deixou a conversa a meio como é muito usual actualmente entre quem troca mensagens digitais e a mim fará eterna confusão. Como sou uma estroina, publico aqui as mesmas fotografias que lhes enviei da minha varanda. São da manhã de sexta-feira, mas Sábado com o sol as plantas estavam mais bonitas. Troquei email com o amigo JA que me foi dando novidades das suas andanças pela Catalunha e terras lusas. Ontem a minha mãe e o meu irmão N. passaram cá em casa. O Ritz para meu espanto foi directo ao N. e miou, devia ser em agradecimento a não ter trazido os cães. A mãe anteontem relatou-me um programa da televisão sobre as maravilhas e riquezas de Nápoles que não visitámos quando fizemos o circuito de Itália. Falou dos museus e especialmente dos abrigos subterrâneos. E aproveitou para contar a descrição que a minha trisavó Natividade fez no diário da visita à cidade e em especial a ida a cavalo ao Vesúvio. Falei também ao telefone com o meu pai que me pareceu desanimado. Ainda assim mandou uma palavra de estímulo ao Nuno que anda um tanto desencantado com gente das antigas relações profissionais. Vale-lhe o vigor da filhota que chegada à Tailândia mandou mensagem para que descansasse e tranquilizasse a avó.
Este fim-de-semana não tive especiais actividades domésticas. Só o trivial de roupa da semana e pequena limpeza e arrumação da casa para gozar os dias de descanso em casa organizada, o que me traz serenidade. Pela mesma razão voltei a sintonizar o rádio da sala na smooth fm. Pode ser repetitiva, mas é tranquila e ordena-me as ideias. Gosto.
Obrigada por lerem. Bom Domingo.
Publicado inicialmente na plataforma Medium no dia 3 de Novembro de 2024.