
Nas Comezinhas era usual criar posts de agenda para contar sem desenvolver ideias que me ocorriam ao longo dos dias, deixando em aberto a hipótese de escrever acerca dos temas mais tarde. No fundo uma subespécie de diário.
Vou fazê-lo neste texto e, tal como era costume nas Comezinhas, não sei o que vou escrever. Já esqueci os pensamentos que me ocorreram durante a semana e não cabem na descrição que farei amanhã do dia-a-dia para dar continuidade aos diários. Vai sair ao sabor do dedilhar. A razão de ser talvez seja retomar o hábito interrompido de escrita diária já que ao parar criei um buraco no peito. Faz-me falta escrever e recorrer a um termo que uso muito: mexerufada. Será uma mexerufada de ideias.
· Estratégia versus bondade.
O constante calculismo no pensamento e actuação será compatível com a boa índole? Qual a razão para o mau carácter andar associado à estratégia e ao calculismo e estes ao sucesso ou a vantagem financeira? Será que a bondade é sempre ingénua e por isso tende ao fracasso?
Imaginem a hipótese de uma amestradora de animais domésticos que os explora no circo.
· A auto-promoção versus mérito.
Como a sociedade poderá ambicionar ser justa sem que se compreenda não ser educado nem razoável o auto-elogio e promoção da competência e esforço, directos ou subentendidos, como substitutos do merecimento?
Reparem como alguns se anunciam ou apresentam na profissão, nas plataformas e redes sociais, nos blogs.
· Investimento na criação das boas relações ou networking versus profundidade.
Será que quem valoriza e ocupa parte substancial do tempo a criar e manter uma rede de relações na qual se trocam favores materiais ou incorpóreos, na bajulação de pessoas influentes, no auto-elogio, na promoção de amigos e no ataque em matilha ao valor, de forma directa ou por sugestão, possui a disponibilidade necessária a aprofundar o pensamento reflectindo para lá das referências, citações, ideias feitas e ilações manipuladas?
· Catalogação e mimetismo versus talento.
A catalogação é útil aos informados convencidos da sua superioridade e pode ajudar a dar a conhecer factos que interessam. O mimetismo ajuda as aprendizes de feiticeiro a fazer género de conhecedoras e singrar rápido. Mas em ambos os casos é sabido o mau resultado da pretensão e embuste. De onde nascem os frutos do talento que se identificam no espírito franco, dom natural, trabalho e na sobriedade? Qual a fonte?
A reunião de informação foi durante séculos fonte e objecto de conhecimento. Pode ser trabalho sério se encarado com honestidade. Hoje face à avalancha de informação disponível é preciso mais do que trabalho de pesquisa e adaptação. É preciso mais do que nunca talento na seriação e interpretação da informação para transformá-la em conhecimento e com sorte em sabedoria. É perfeitamente dispensável usar a habilidade como arma presumida de arremesso ideológico ou tribal, de interesses egoístas ou de frivolidades literatas.
Afinal e como é usual acabei por desenvolver um pouco cada item.
Obrigada por lerem. Bom fim-de-semana.
Publicado inicialmente na plataforma Medium a 1 de Novembro de 2024.