
Não. O título poderia sugerir que as palavras seguintes fossem a belíssima suma de tratado acerca do romance de Virgínia Woolf, que por acaso li e gostei, mas não. Deixo a sapiência para os literatos e falo de ondas como marés ou modas.
Mais cedo dei por mim novamente a empreender nas manias ou tiques que surgem em sociedade num determinado momento por mimetismo de massas. Não adoçar o café por alegada heresia invocada por quem diz que os puristas do café, os verdadeiros apreciadores, não põem açúcar ou adoçante. Os que não tomam café, chá preto ou Coca-Cola depois da hora do almoço por perturbar a noite de sono. Os que se enchem de orgulho para dizer que só comem massa, perdão, pasta se cozinhada al dente. Há mais ou menos décadas tudo manias que entraram nos hábitos da maioria por contaminação das lavagens cerebrais dos meios de comunicação social, sobretudo, através dos ensinamentos dos viajadíssimos conhecedores chefs ou nutricionistas.
Todavia não é só em matéria deste alimento mais palpável que as marés vingam. O mais nobre alimento da alma — o amor — também está sujeito a ser reduzido a um tique. À moda.
Lembro que em miúda no mundo ficcional era habitual enobrecer-se o gesto corajoso de um dos elementos do casal ao descobrir que já não amava o companheiro. Em quantas cenas de cinema assistimos ao acto sofrido e audaz de dissolução de um casamento ou namoro pelas palavras dilacerantes: já não te amo. Pois, mas isso foi chão que já deu uvas. Nas últimas décadas não há artista de variedades que não venha a público dizer que pôs fim a uma relação de anos por já ter cumprido o seu destino ou o que havia a aprender com aquela experiência, mas que amará para sempre o companheiro.
Ao que parece antes procurava-se a relação ideal que permaneceria inigualável e para isso galgava-se de tentativa em tentativa de descoberta do verdadeiro amor. Hoje faz-se um depósito por acumulação de várias experiências de verdadeiros amores.
A incógnita será saber em qual das modas estaremos mais perto da verdade ou do amor-perfeito.
E chegamos a sexta-feira. Ao fim da tarde será o melhor momento da semana.
Obrigada por lerem. Bom fim-de-semana.
- Publicado inicialmente na plataforma Medium no dia 18 de Outubro de 2024 -