Pesquisar neste blogue

15/12/2024

Diário 13 de Outubro de 2024





 


Atiro de supetão as preocupações que me vão na alma.


O estreitar da ligação ao centro de acolhimento de crianças com a escolha do piano para o Nuno começar a dar aulas informais aos fins-de-semana. A previsão de mudança por essa via nas prioridades da nossa vida para dar atenção aos mais pequenos.


A ideia que me começou a martelar nos últimos tempos de me reformar mais cedo e a intenção de entrar em contacto com a Segurança Social para conhecer os requisitos e condições.


A obra cá em casa para deitar a parede que separa o corredor de entrada da sala, aumentando-a um pouco por ser tão pequena. Ficará a sala devassada mas ganhará amplitude. Já está prevista a vinda cá a casa no final da semana de quem vai dar o orçamento para a execução do trabalho.


Entretanto tivemos uma chatice ontem: a avaria do cilindro da água quente. Está roto a pingar água; já encomendei um novo ao canalizador que o vem instalar na próxima terça-feira. Além do transtorno de não ter água quente três dias, vai ser um gasto de peso no orçamento doméstico.


E as preocupações de saúde que afectam familiares e relativos. Tem sido um ano difícil em matéria de doença nos meus e nos que os rodeiam. Assim como quem não quer a coisa no último ano descobriram-se três maleitas: epilepsia, cancro e esclerose lateral amiotrófica. Preocupações relevantes para as quais é preciso ânimo, apoio e cuidados redobrados. Além destas mais difíceis, outras questões de saúde menos graves também dos meus, com intervenções cirúrgicas que permitem melhoria da qualidade de vida. Aí é só o transtorno que importa e paciência para o processo de recuperação.


É disto que se faz o meu estado de espírito nos últimos dias e quando começo a planear os próximos passos sinto que estou a espingardear demasiado. Não terei forças nem capacidade de chegar a tanto.


Ontem debrucei-me um pouco na História de Portugal, ainda no propósito do Espanador, e fiquei a matutar com é simplista a visão na nossa história despegada da evolução histórica da Europa e do mundo. Teria muito mais interesse tentar fazer uma resenha que nos envolvesse no todo. Mas compreendo que quanto mais alargar o leque de temas a abordar no vôo resumido da nossa história, mais difícil é de concretizar o plano. Ora, não me apetece deixar mais projectos por concretizar. Às tantas ser menos ambiciosa é mais prudente. Quem sabe começar pelo simples resumo da nossa história, depois tentar enquadrá-lo no domínio europeu e mais tarde mundial. Seria interessante e ousado para quem sabe tão pouco. Mas como o faço por carolice, sem pretensões e por gozo próprio nada contra.


Falo mais uma vez com os meus botões e agora sabendo que nem os vinte leitores habituais dos últimos anos vão ler-me. Falo como se desse sequência aos diários do blog Comezinhas e sem grandes explicações que permitam apanhar o fio da meada. Se um dia tudo isto fizer sentido será uma lança em África. Por enquanto aqui no Medium sem nenhuma perspectiva de futuro sinto-me a escrever para o boneco. E é curioso como sinto que é isso mesmo que devo fazer. Seguir em frente. Estava há cinco anos a escrever para cerca de duas dezenas de pessoas. Sentia-me acompanhada e, em regra, gostava da companhia. Mas não de parte da envolvência da plataforma onde lidava com vícios que me irritam como o oportunismo, falta de carácter e presunção intelectual de gente muito menos válida do que se julga. Às vezes para cortar com o mal pela raiz temos que prescindir das partes benignas. Sei que vou ter saudades quer de ir expondo a minha alma aos poucos leitores, quer da companhia de gente de boa índole que ia lendo e com quem ia conversando.


Hoje desabafando ao telefone com uma velha amiga dividi a vida em três componentes: familiar e amigos, profissional e da escrita e vida online. Dizia que as duas primeiras correm bem e é na terceira que sinto frustrações. Admitia que a ideia de reformar-me (antecipadamente) e vir para casa empreender no que me faz mal podia ser prejudicial. Ela não deixando de dizer que era uma perspectiva sensata, procurou com lucidez demonstrar-me que o mundo é muito mais amplo do que aquilo a que nos agarramos em loop em determinado momento. Tem toda a razão. Como diz uma bruxa que ouvi, ficamos abraçados ao cacto queixando-nos que dói muito, quando o que devemos fazer é largar o cacto. A minha amiga sugeriu que fizesse um mestrado — em história de arte, era a minha ideia já há anos. Ela é toda virada para a vida académica. Fiquei a pensar nisso, mas para começar talvez enverede quando tiver tempo por um curso online. Como disse acima, são muitos planos para uma pessoa só. Por enquanto estou apenas a largar o cacto aos poucos.


Esta semana li todos os dias algumas “histórias” aqui no Medium, sobretudo, dos perfis que sigo, mas também dos sugeridos. Faz-me bem ler em inglês. Quanto a livros continuo nas minhas leituras pela área da História. E alguma poesia que faz sempre falta.


Tenho procurado proteger-me das notícias e da actualidade. Preciso sobretudo não me envolver emocionalmente seja com a actualidade internacional seja com a política interna. Está tudo muito quente e efervescente e não estou em fase de permitir que os excitados do espaço público explorem com proveito próprio as guerrilhas ideológicas e tribais, interfiram na minha saúde emocional e mental. Já chega a realidade ser devastadora para muitos, é escusado deixar-me engolir pelo excite. Procuro ver e ouvir as notícias o menos tempo possível de modo a manter-me minimamente informada, mas não submergida na opinião facciosa ou demasiado esmiuçada e, por isso, impossível de ser racional.


Hoje é Domingo, dia de nadar na piscina municipal.


E sabem que mais? Apetecia-me um cigarro. Não fumo há quase nove anos, mas lá que me apetecia, apetecia.


Obrigada por terem lido. Bom Domingo.


 


Publicado inicialmente na plataforma Medium a 13 de Outubro de 2024.