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22/11/2022

Recapitulando

Ontem, presumo na sequência da leitura dos meus últimos textos, abriram este postal de Janeiro passado - além da entrada Crapô de junho de 2021, em que reflicto sobre os joguinhos infantis da discussão pública dos temas da actualidade, através do emaranhado da enumeração de factos e argumentos supérfluos para conferir aparente seriedade às opiniões. Puxo o primeiro para a ribalta das Comezinhas, para que fique visível. Não quero que falte nada a visitantes mais discretos. Não sei se querem uma rábula de discos pedidos, também?


Cedendo ao joguinho infantil, digo que o parágrafo anterior se justifica pelo facto de achar pouca piada à falta de lisura e ao calculismo. Se a intenção fosse boa e desinteressada, não teria de ser escondida. Tenho a maior consideração por quem respeita os outros e a mim. Quando isso não acontece, não há qualquer razão para ter respeito. E não me afastarei um centímetro desta postura enquanto sentir que desconfiam, usam tacticismos palermas ou são oportunistas - esta última, a característica mais apreciada na opinião que vinga na nossa praça, habituada à maledicência e intriga política, avessa à franqueza e honestidade.


Nem um centímetro, apesar de saber que fico com o odioso e rótulo de ser ressabiada e ter a mania da perseguição. Não tarda nada aparece um textinho piedoso e dissimulado - de modo a não ser detectado - de algum inocente útil a perorar sobre alegadas pechas desta megera malquista, rodeada de gente boa e bem intencionada, que por mau-feitio trata mal. De modo a que tudo permaneça tranquilo e podre, como convém aos heróis da fava rica, cada vez mais inchados.


*





Opinião válida


por Isabel Paulos, em 05.01.22

É revelador do estado de mansidão a que chegamos o número de vezes a que assistimos na televisão, nos jornais e nos blogues o verberar pela opinião dominante dos meios de comunicação de massa sobre a estupidez dos que não aprendem a sujeitar-se sem estrebuchar.


O insólito é fazerem-no hasteando as bandeiras da liberdade de expressão e do contraditório, como se o admitissem quando diária e sucessivamente tentam silenciar qualquer um que não vá na corrente. Adoro parangonas como “na minha opinião”, “eu que sou um desalinhado”, “eu que penso pela minha cabeça”, logo seguidas do invocar de uma qualquer trivialidade medíocre e bronca aceite pela maioria audível e de mindinho no ar, ou então constatar a permanente censura em vácuo dos radicalismos por extremistas das conveniências e interesses.


Que fazer? Têm-se pelo nec plus ultra da opinião válida.