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09/11/2022

Mais um recomeço

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Todos os Outonos é isto: o recomeço. A alegria das boas intenções. Começou cedo. Recordas-te de nos Setembros da primária fazeres projectos de ter as folhas organizadas. Nessa altura ainda conseguias à custa da disciplina imposta pelas professoras, apesar de nunca chegares das férias grandes com os deveres feitos. Passavas por isso os intervalos das primeiras semanas de aulas de castigo a fazer as cópias em falta. Era chato por não poderes fazer os concursos no baloiço - quem voa mais alto? Isso sim, era vida. No ciclo, como se chamava na altura, começaste a abandonar os cadernos em ordem ainda no primeiro período. Iniciou a desorganização. Do sétimo ano em diante ias usando um caderno de capa azul ou preta que dava para todas as disciplinas e em simultâneo para tudo quando escrevias e desenhavas mal; a mexerufada total. Disto te lembraste hoje ao vires a pé para o escritório. No último mês, como sempre acontece nesta época do ano, decidiste vir a pé, afinal são pouco mais de 20 minutos e é sempre a descer. Custa é no caminho inverso. Quando vivias em Bessa Leite fazias muitas vezes o percurso a pé. Em bom rigor, à época como agora, atenta a proximidade nem faz muito sentido andar de autocarro, salvo em dias de muita chuva ou à hora de almoço. Costumas demorar 20 a 22 minutos. Hoje, molengona, retardaste o pequeno percurso por 28 minutos. (recordas Kant agora, vá-se lá saber porquê; até sabes, mas não interessa nada.) Uma tristeza passageira carpiu-te os neurónios e os olhos a meio do percurso. Logo trataste de lhe pôr cobro relativizando as amarguras. A perspectiva é tudo. É dar a volta, dar a volta sempre e de cada vez. Andando. Atravessaste a Rotunda e hoje paraste para tirar rápida fotografia. Só para registo, igual a tantos mais. A tua vida faz-se de muitos momentos e espaços iguais, repetidos e, apesar de gostares de mudança, sentes-te confortavelmente instalada nesse fio de meada maior do que cada rompante ou ruptura que imprimes na vida ou ela te impõe. Não gostas da novidade pela novidade. Não és de adesão fácil às modernidades nem à diferença pela diferença. E que têm os outros a ver com isso para estares a escarrapachá-lo no blogue? Não sabes, também não te interessa muito. Apeteceu-te e sempre deixas mais de ti do que a vontade de chocar pela tão apreciada exposição vaidosa das vulgaridades reles ou de falsa sabedoria e sofisticação - felizmente, sempre estarás aquém dos cartazes: essa é a tua vaidade.