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10/11/2022

Espevite

Tivesse tempo e hoje escreveria sobre dois importantes temas despertados esta manhã. No primeiro caso, pela curtíssima viagem de autocarro, no segundo, pela leitura de um post em blogue alheio. Estes estímulos dariam dois postais. A saber. A conversa entre dois passageiros no autocarro septuagenários acerca dos casamentos (um casado há 50 anos, outro no segundo casamento), que passavam pelo tempo que um se demorava a vestir (uma hora dizia ele, e o espanto do outro que lhe dizia: nem os cangalheiros demoram tanto e a sua mulher não o ajuda?), por cebolas, pela falta de gosto da mulher pelos legumes e fruta (nem sequer um Kiwi, e eu que gostava tanto de legumes e fruta, queixava-se) e a memória de um em relação ao outro da época em que este último se apaixonou (bem me lembro de quando você se apaixonou, ninguém podia olhar para ela, dizia-lhe). Conversa da qual só me distraí por tentar prestar também atenção no recado rápido que uma outra passageira dava ao telefone a uma irmã ou irmão sobre a mãe, isto enquanto ouvia na orelha direita Dulce Pontes nas melodias de Ennio Morricone - depois de semanas de Willie Nelson, agora recomeçou a temporada de Ennio Morricone; ontem passei o dia nos best of. E a recordação dos brinquedos de criança a propósito de máquinas registadoras. A minha de plástico amarelo, com calculadora digital de mostrador âmbar, botões laranja em base preta e um deles activava o mecanismo de abrir a gaveta, coisa entusiasmante.


Há dias que tudo espevita. Pena a falta de tempo.