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20/11/2022

Conversa em Família a Quatro

Para finalizar o dia, o resto do jantar de ontem: língua feita pela minha mãe, que sabe bem o quanto adoro este prato e nunca o faço por medo da panela de pressão. Nem existe cá em casa tal apetrecho infernal. A razão é a mesma para não conduzir. Reconhecendo-me extremamente distraída temo um acidente grave provocado por desatenção.


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Os visitantes das Comezinhas devem imaginar: ela não pensa noutra coisa senão (em bater nas mesmas teclas, criticar e) comida. Desiludo-os: perco pouco tempo a pensar em comida, demoro-me pouco na cozinha por falta de paciência, mas adoro comer e pratico sem remorsos. Almoçar e jantar sempre foram bons pretextos para conversar e pensar. Apenas continuo a tradição, ainda que conversando com os meus botões em voz alta aqui no blogue.


Enquanto escrevo estas importantes linhas para o curso de humanidade oiço uma notícia no jornal da RTP 1 sobre barragens e recordo uma conversa de poucos dias com os meus irmãos. Os três continuam atentos aos caudais do rio Douro (e outros) e às linhas de água nas várias barragens que vão visitando. Costume ganho em criança nos passeios de fim-de-semana às barragens a que o nosso pai nos habituou.


Descrição em tempo real. O Nuno recolheu ao cantinho dele para ver Paulo Portas, na TVI. Daqui oiço Marques Mendes, na SIC. O Nuno voltou à sala e, pelo caminho, informou-me que Paulo Portas referiu-se ao nuclear e ao gás limpos. Agora perora o caminheiro da peregrinação do comentário dominical com vista a Belém. Gosto desta distância de sete metros entre +1 e a televisão da sala e do facto de me encontrar de costas. Torna-me mais tolerante, menos bicho. Depois virá o oráculo de todos os portugueses. O humorista maior do reino, que não se afasta um átomo do pensamento autorizado, mas é extraordinariamente rápido, esperto e possuidor de total domínio da oratória, determinando o sentido do pensamento e comentário não só dos portugueses em geral, mas dos próprios líderes de opinião, que replicam nos seus espaços de comentário tudo quanto é dito no programa de entretenimento mais visto em Portugal. Sabem que é a receita mágica para obter audiência num abraço fraterno que une todo o país. Raramente perco, até por me fazer rir muito. No Domingo passado transmitiram um excelente especial. Nada disto me faz esquecer que a mentalidade portuguesa, em linha (como se diz agora) com o que se passa lá fora, está cada vez mais enviesada pelo politicamente correcto (expressão tão batida há um par de anos que deixou de se usar, mas continua a transmitir bem o significado desejado). O que não deixa de ser curioso: o certinho, o alinhado num programa de humor. Ainda sou do tempo que os grandes humoristas eram fora da caixa, pisavam o risco, arriscavam ir contra-corrente. Às vezes, ainda vejo Ana Gomes na SIC Notícias. Um fartote de televisão ao Domingo à noite: entre duas e três horas, sempre ocupada com outras incursões em simultâneo (hoje foi escrever este texto, noutros dias é ler ou brincar com o gato), já que é raro conseguir estar concentrada apenas na televisão. Entedia-me.  


É a Conversa em Família a Quatro na televisão portuguesa ao Domingo: Paulo Portas, Marques Mendes, Ricardo Araújo Pereira e Ana Gomes; todos eles, experientes políticos, e cada um com a sua arte: jornalismo, advocacia, humor, diplomacia.


Adenda. Hoje vi ainda João Soares e Poiares Maduro. Mas não não vou mudar o título para Conversa em Família a Seis. São mais que as mães.