De manhã sobrinha, à noite sobrinho. Meia-hora de conversa. Com eles sei que rapidamente vou até ao Japão ou à Coreia do Sul. Bem me lembro da fase de há uns bons anos, dos caderninhos com dezenas de palavras e expressões japoneses. Tudo por causa do Anime. Em miúdo relatava-me com entusiasmo as vidas e dramas das personagens, a que eu ouvindo com a máxima atenção conseguida e simplificando bastante me referia como bonecada, sem que deixasse de perceber uma sensibilidade muito diferente da Ocidental. Hoje contou-me o último Anime que acompanha: envolve o mundo do futebol com apontamentos bem realistas e referências a jogadores e clubes nacionais, como o Portimonense, num desafio duro e arriscado para formar uma selecção (japonesa) após o desaire do último mundial. Como faltam episódios e a curiosidade pelo enredo é grande, anda a ler o livro correspondente. Há mais de três anos a trabalhar em IT sobra pouco tempo para passatempos, que passam muito por estar com o grupo de amigos formado ainda criança, mas também pelos jogos online – é da geração deles. Há dois dias experimentou os óculos 3D num jogo de realidade virtual que antes havia rejeitado por tédio. Desta vez achou piada por ter encontrado na rua um contrabaixo a quem se juntou um guitarrista e um saxofonista e por fim uma pianista, de diferentes nacionalidades. Interpretaram o que pediu. Entre outras, composições de Yann Tiersen. Como é próprio da geração dele, apesar de viver em Portugal, a vida profissional e muita da lúdica faz-se essencialmente em inglês.
Gosto que os pimpolhos tenham noções de música e, melhor ou pior, saibam tocar ou dar uns toques no piano e na guitarra. Sempre me pareceu importante desfrutar de formas de expressar o que vai dentro de cada um e extrair qualquer coisa de um instrumento musical é uma maneira extraordinária de poder extravasar emoções. É mais uma linguagem.