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Lá ia gastar o meu latim com artolas e a forma como debocham, achando-se mais espertos e impunes nas sacanices e ofensas dissimuladas, mas deixá-lo. Serão sempre os das grandes audiências à semelhança da imprensa sensacionalista ou das casas dos segredos. Buscam o seu target pindérico e têm-no no mercado dos grandes vencedores das aparências e da vulgaridade borrado de verniz que estala fácil. Fazendo-se passar por gente sábia seguem triunfantes na sua pequenez.
Deixá-lo e falar do que me move. Deixá-los impressionar a plateia com assuntos de sumo interesse, estratégias de pilhagem e desaforo de veludo e falar das minhas banalidades. Há dias estava a abrir um dos pequenos frascos do suplemento de ferro que tomo por causa da anemia e pensei no absurdo das embalagens com vinte frascos de vidro com tampa de plástico. Pensava: há quarenta anos teríamos um frasco único com a indicação para a toma diária numa colher de sopa, quando muito traria uma medida para o efeito e não doses individuais. Em caso de necessidade de preservar as propriedades do remédio por vinte dias teria um doseador que evitasse o contacto como o ar do conteúdo do frasco. Tão só. As imposições legais e as práticas seja na produção de medicamentos, seja em químicos como detergentes ou produtos de higiene pessoal é absurda em termos ecológicos. Sem necessidade nenhuma, senão a monomania do consumismo desenfreado e das modas de modernidade e falsa praticidade. Os produtos são fabricados em função das modas da publicidade e não segundo razões científicas. É a economia do desperdício em funcionamento; cada vez mais florescente.
Ontem um colega comprou uma empada na Padaria Portuguesa. Vinha embrulhada em papel colado com farta fita-cola, metida dentro de um saco de papel, enfiado dentro de um saco de plástico. E estamos nisto. Posso imaginar: o funcionário que embrulhou assim a empada e os muitos que acham normal consumir produtos embalados desta forma são capazes de participar ou aplaudir manifestações contra as alterações climáticas. Absolutas tolices.