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26/01/2025

Diário 26 de Janeiro de 2025

Esta semana trouxe para a Reading List quatro histórias lidas. Três acerca de pintura, uma sobre os fogos na Patagónia, na Argentina.


ImageDoGoogle


Imagem do Google.


Na primeira o autor conta-nos a história de Narciso a propósito da tela de Caravaggio. O pintor retrata o castigo dado pela deusa Némesis ao jovem vaidoso da mitologia grega que rejeitava todos os pretendentes. Através do jogo luz e sombra faz o contraste entre a luminosidade do corpo de Narciso debruçado sobre as águas de um lago onde se apaixona pelo seu reflexo, a que o artista dá tonalidades escurecidas segundo a técnica do tenebrismo. Água nas quais acaba por cair, afogando-se. A autoconsciência, a tomada de consciência do eu subconsciente. O autor do texto dá-nos nota do pormenor relevante dos dedos das mãos cuja visão a tela não cobre, isto é, saem da própria pintura, uma forma de Caravaggio criar impacto de proximidade com quem vê a obra.


A autora do segundo post lido, uma guia turística em França, explica a razão de não incluir Pablo Picasso e Paul Gauguin nas visitas guiadas. Picasso pela misoginia e forma oportunista como se aproveitou do talento de Dora Maar, fotógrafa surrealista, menosprezando-a. Gauguin por ser pedófilo e ter romantizado o exotismo do Oriente fabricando uma visão fantasiosa para agradar aos europeus. Face às políticas de cancelamento a minha posição não é radical, mas de nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Se considero que não se deve deixar de mostrar a obra de qualquer artista por razões éticas ou politicamente correcto, também sou de opinião que somos livres e não devemos deixar de sublinhar as deficiências de carácter e os crimes praticados pelos génios ou criaturas que de uma forma ou outra se destacaram no plano das artes. Isso desejariam os fãs da lei da selva que tanto se insurgem contra as políticas de cancelamento, ao mesmo tempo que cancelam a possibilidade de buscar ou revelar verdades incómodas sob o manto diáfano do “temos de contextualizar na época” — argumento que usei durante trinta anos até aprender a ser mais criteriosa. Há traços intemporais da natureza humana que não cabem neste chapéu atenuante por mais jeito isso dê à retórica dos agressores.


A terceira entrada trata da perseverança criativa de Claude Monet, que apesar da rejeição, das dúvidas e dívidas, da tentativa de suicídio e das críticas devastadoras, manteve-se fiel à sua visão e estilo artístico, o impressionismo. Um hino à liberdade artística.


Na história sobre a Argentina o autor, que vive na Patagónia, descreve a visão do fogo aproximando-se da sua cidade e o impacto dos incêndios na região. Crítico do presidente argentino Javier Milei, faz paralelo do seu pensamento e políticas com o movimento MAGA (Make América Great Again) por negar as alterações climáticas. Denuncia as políticas de desmantelamento da protecção florestal para a extracção de petróleo e gás em benefício de investidores internacionais, face a uma população que tem preocupações económicas pessoais e não ambientais, no momento em que as florestas da Patagónia ardem. Resultado da conjugação de três factores: seca e calor extremos e má gestão ambiental.


E que dizer do dia-a-dia? Nos últimos meses, ou anos, tenho dado por maior irritabilidade à hora do almoço. Talvez resulte do tempo contado, da pressa em passar no supermercado, aquecer o almoço e sair. Ou em rigor, daqueles minutos de quebra ou relaxe que são cortados pela imposição de regressar à empresa. O certo é que nessa altura do dia fico mais impaciente e irritadiça, salvo quando almoço junto do local de trabalho, quebrando a rotina da semana.


Na semana que passou preparei os jantares evitando trazer comida do take-away ou Bolt. Nem todas as refeições correram bem. Na quinta-feira ia fazer caldeirada de lulas, quando percebi tê-las deixado estragar. À falta de outro peixe em casa, fiz caldeirada de salmão. Um desperdício, já que prefiro grelhado ou assado. O Nuno comeu bem a caldeirada depois de me pedir que pusesse piri-piri. Brinco com ele e digo que traga tudo desde que tenha picante.


Hoje saímos de Bolt para ir à casa de acolhimento de adolescentes. Para lá fomos conduzidos por um bangladeshiano falador que simpatizou com o Nuno. Em conversa inteiramente em inglês queixou-se que desde as últimas eleições em Portugal nota que passou a ser habitual os clientes cancelarem as viagens depois de perceberem quem é o condutor. Contou um episódio passado em frente ao Norteshopping: junto ao carro dois clientes pediram três vezes uma viagem, que aceitou as três vezes para as ver canceladas. Para cá viemos com um portuense e portista pacato que ouvia o relato do Porto-Santa Clara. Enquanto decorreu a viagem o Porto estava a perder. A propósito do penalti perguntei se seria mesmo e ele riu — expliquei que temo sempre não seja falta. Bem-disposto disse que agora o que mais o diverte nos jogos é o árbitro explicar ao público a razão de puxar de vermelho. Sugeri que qualquer dia põem o público a votar na falta ou cor do cartão.


E assim vendo bem não há nada mais de relevante a contar esta semana. Mais tarde de certeza que vou pensar: esqueci disto e daquilo e daqueloutro. Mas estou cansada, tenho sono e ficamos por aqui.


 


Obrigada por terem lido. Boa semana.