
Esta semana as minhas leituras aqui no Medium foram diferentes do habitual. Li uma entrada sobre o caso do assassinato do CEO da United Healthcare, Brian Thompson, e o impacto do caso nas redes sociais com a ligeireza que as ditas nos costumam habituar. De qualquer modo, o autor demarcava-se e condenava o regozijo com a morte de Thompson, mas não deixava de alertar para os abusos na procura do lucro e defender que há negócios que não podem estar na esfera privada por questões éticas, dando como exemplo os seguros de saúde, a educação e as prisões. Em suma minha, a ganância superará sempre o moralmente aceite e há domínios que devem estar salvaguardados.
Li outra história sobre a iminência de catástrofe ecológica. A propósito o autor debruçava-se sobre o filme Don’t Look Up, de 2021, de Adam McKay, cuja mensagem será esta (não vi o filme): face às evidências demonstradas pelos cientistas da iminência de catástrofe climática a mesma é escondida pela ganância do poder político. O autor não se deixa ficar por este simplismo, afirmando que mesmo que fosse retirada a tal corrupção política, o problema subsistia já que é a de ordem natural. Isto é, “a ameaça da natureza é a própria natureza”. Fala-nos depois da dificuldade de compreender a natureza fragmentada e incompleta que continua a ser abordada por quem trata das questões climáticas como uma unidade homogénea. Enfim, coisas difíceis de compreender.
A semana passada foi mesmo fora do comum nas leituras, li até uma história com umas pinceladas de química. Nada que não saibamos quase todos, há químicos venenosos que são usados e consumidos em doses mínimas. O autor deu como exemplo o cloreto de cálcio, o sal para descongelar estradas ou até usado em alimentos, o bicarbonato de sódio para tratar da azia, o sulfato de magnésio nas anestesias e fertilizantes, o flúor em pequenas doses na água. Ensina também que independentemente da dose há condições genéticas que proíbem a alguns a ingestão de determinados alimentos como as favas. Os genes têm peso nesta matéria.
Por fim, li uma comovente história de um miúdo que gostava de jogar futebol mas tinha vários handicaps sendo filho de um cego que sempre o acompanhava nos treinos e a partir do banco incentivava. Só quando o pai morreu pôde brilhar em campo por saber que pela primeira vez o pai poderia vê-lo jogar. Desculpem o spoiler, seria muito melhor lerem a história contada pelo autor que a publicou aqui no Medium. Resumida por mim perdeu beleza e emoção.
Como já referi antes as histórias lidas no Medium que menciono nestes diários podem todas ser acompanhadas na ligação Lists. Estão lá prontas a ser lidas.
Esta semana extraordinariamente não li vários postais sobre telas e pintores. Acompanhei apenas um que ensina a desenhar e pintar um pássaro. Passei anos da minha meninice a tentar desenhar um pássaro. E não deixa de ser um sinal que aos 51 possa aprender — é provável que agora nem tente, mas é curioso. E não deixa de ser irónico que esta manhã ao abrir a janela da varanda do quarto tenha sido brindada com o enérgico canto e visão de uma pega. Além de me visitarem na janela onde trabalho, também em casa as posso ver. Há momentos em que fico na dúvida se estão zangadas comigo por ter tirado a pega como talismã anual do blog Comezinhas e posto o pisco. Mas vou acreditar que não. Que a sabedoria e têmpera da pega se harmonize com a ternura e alegria do pequeno pisco.
E agora o dia-a-dia. Desde quinta-feira estou com dores de dentes e achei-me capaz de automedicar e resolver a questão, mas é possível que amanhã tenha de voltar ao dentista. Uma chatice, até porque estive lá na segunda-feira passada para ver o andamento dos alinhadores e a dentista não detectou qualquer problema, cárie ou de outro tipo. O facto é que tenho guinadas muito fortes e o Brufen não está a resolver.
Ao contrário do que é habitual vou fazer caixinha do aspecto mais importante da semana. Todo o bom senso me aconselha que não seja espalha-brasas, ou melhor, não seja bem-disposta demais revelando as minhas alegrias e planos ou transparente demais nos desgostos. Creio que foi o que toda a vida impediu muitos de me levarem a sério. Acredito que só vêem a superfície e não o muito que fica por dizer. Quem sabe um dia seja mais fácil? Enfim, teorias como lhes chama a minha mãe. As bruxas fartam-se de recomendar que mantenha o bico calado, mas é certo que sou uma língua-de-pescada. Conto só isto: ontem tivemos cá em casa com terceira pessoa uma importante reunião de duas horas. No fim quando ficámos a sós perguntei ao Nuno se tinha sido muito chata, disse-me sorrindo: muito mesmo. Pois, tem de ser, quando os assuntos são negócios importantes tudo deve ser esclarecido ao pormenor para evitar problemas. Não podemos confiar na sorte.
Ontem foi dia também de tratar de decidir a logística do Natal. Vamos buscar a minha sogra a Lisboa no Domingo anterior e passará connosco uma semana. Será um Natal a três e comigo a trabalhar todos os dias, salvo 25. Do dia 24 ainda não sei se terei de trabalhar de manhã. Mexe com a minha rotina, mas tudo se fará.
Há dois dias dei continuidade ao blog Comezinhas. Vou republicar lá as poucas histórias novas que aqui tenho publicado e vou mantendo os dois espaços no activo. Pelo menos essa é a intenção. Logo se verá o que o futuro ditará. O regresso foi tranquilo como aprecio. Gostei de “rever” algumas pessoas. Admito que tinha saudades.
Obrigada por terem lido. Boa semana.
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Publicado incialmente na plataforma Medium a 15 de Dezembro de 2024.
E assim acabam as reposições dos posts escritos no Medium entre Outubro e Dezembro. A partir do Natal comecei a publicar em simultâneo. Lá ainda terei material das Comezinhas para recordar, mas a inversa terminou.
Bom fim-de-semana.