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12/01/2025

Diário de 11 de Janeiro de 2025

Além do diário pedi ao ChatGPT que fizesse um soneto com o mesmo enunciado. Aqui está o resultado. […] Há quem diga que a vida levada a enganar os outros é muito mais fácil. Chamem-me ingénua, mas não sou da mesma opinião.


Hoje não me debruço sobre histórias publicadas aqui no Medium acerca de pintura, mas refiro apenas a que nos enumera vantagens de colorir fotografias históricas, pelo ganho de realismo e expressividade, desde a imagem de 1898 da tripulação de pesca nas Ilhas Faroé, até à tradicional ida para a igreja de um grupo de mulheres norueguesas em modernas bicicletas ou a tradição milenar japonesa da tatuagem masculina, passando pelo curandeiro Sioux. Tudo em fotografias de um século a século e meio.


Um dos temas que mais me prendeu a atenção foi o uso da Inteligência Artificial e quase impossibilidade de a detectar na “literatura” e no “jornalismo”. Num post lido a autora demonstra como a maioria dos detectores de IA nos conteúdos publicados não funcionam tomando por humana a escrita gerada artificialmente. Dá exemplos de contos ou poesia gerada artificialmente com grande eficiência. É uma alegria, e não se convençam os experientes profissionais que o olho humano experimentado consegue ver a diferença, porque não é tiro e queda. Fico hesitante no que pensar das escolhas para publicação nas plataformas online, editoras e dos promotores de (novos) talentos da escrita: será que sabem que estão a publicar cópia ou conteúdo gerado por IA e estão em enganar-nos com vista ao lucro ou são mais ingénuos do que querem fazer querer batendo no peito em defesa da sua tarimba profissional? A avaliar pela natureza das antigas técnicas de obter material de inspiração para escrever livros — nunca impediram que toda a historieta forjada de modo medíocre fosse editada e elogiada pelos amigos de circunstância -, posso imaginar que para lá dos novos talentos há muito velho trapaceiro a esfregar as mãos de contente com a nova ajuda no acto de “criação”.


Para terminar as leituras da semana aqui no Medium refiro uma tese de defesa da luta contra as alterações climáticas. A autora, uma professora universitária de esquerda, acredita que o drama foi criado por conspiradores neoliberais insensíveis ao desenvolvimento igualitário e às causas sociais e climáticas. A tese assenta na crítica à promoção de um sistema antidemocrático que impõe desigualdades favorecendo a centralização do poder e liberdade na mão de poucos com base em políticas económicas que ajudam a acumulação de riqueza pelos mais ricos e responsáveis pela emissão de CO2 — os que beneficiam da indústria das energias fósseis.


Há uns dias tinha referido uma história que apontava a Natureza como principal causa do fenómeno desmontando o argumento de um filme norte-americano, esta semana temos os neoliberais como culpados. Não se diga que este diário não é abrangente.


Não vou mencionar a leitura de livros. É como o sushi: enquanto esteve na moda desdenhar de outros alimentos e cultivar o repentino gosto por comida japonesa abstive-me de elogiar, apesar do apreço. Nos últimos anos, quando já era saloio falar em sushi, pude fazê-lo e desfrutar da riqueza nipónica de paladar em sossego, sem abanar o rabo para me destacar entre a multidão. É sabido que ao contrário dos presumidos regozijo-me quando bons hábitos se democratizam, não tenho necessidade de espezinhar para me sentir alguém. Não sou adepta de ondas superficiais anti cliché.


Além de mais, no blog Comezinhas e aqui no Medium não vendo sapiência mas futilidades. Banalidades sem qualquer interesse, passe o pleonasmo. Num momento em que as alterações climáticas, o mau tempo, os incêndios, as manifestações e contramanifestações estão em destaque é exasperante para a maioria ler diários em me interessam temas como as diferenças de paladar e reacção ao longo da vida ao provar canela — desde o forte enjoo ao agrado -, ou do horário biológico a que o corpo decide responder e acordar. Parecem futilidades e narcisismo por me dizerem respeito. Venderia muito melhor se elogiasse ou criticasse outros à conta destes temas. É preciso a capinha de disfarce de empatia ou distância para dar credibilidade aos textos. Testemunhos crus soam mal — há demasiada autenticidade neles. Esmiuçar razões e sentimentos à volta das catástrofes naturais, da política, da actualidade, empolar clivagens de opinião entre defensores das causas sociais, identitárias e climáticas e ultraconservadores ou neoliberais, reagir freneticamente a cada notícia do escaparate diário cativa o coração e as cabeças em larga escala. Ao escalpelizar factos e factinhos e dividir os temas em duas facções venderia muito melhor e daria imagem de pessoa respeitável.


Pois, deixo isso para as vedetas da informação e da opinião. Por aqui só produzo banalidades. O que fazer? Se ao arranjar um assunto de interesse público, mais do que a cibersegurança preferiria qualquer coisa como a importância da manutenção e segurança dos depósitos de água municipais e faria uma ligação estapafúrdia aos olhos da lógica dos tempos modernos: se tenho o cuidado em pagar por débito directo a água e electricidade para não correr o risco de ficar desprevenida por atraso no pagamento, porque não faço o mesmo raciocínio para as comunicações, pagando-as por referência? Talvez seja por escalonar prioridades, de onde retiro as ilações para as políticas públicas em matéria de segurança dos cidadãos. Será que o Estado faz o mesmo?


Adiante. Tal como a história que referi lá acima acerca de IA, vou fazer aqui o teste que já fiz nos últimos meses para a poesia. Mas vou fazê-lo primeiro aplicando aos meus diários comezinhos habituais. Vou pedir ao ChatGPT que crie um diário com enunciado meu, para dar o condimento apreciado pelos promotores de talentos amadores. Peço à máquina que crie um diário de meia página A4 em tom literário sobre os últimos dias com base nisto: esta semana choveu todos os dias. É como se sentisse musgo nos ossos. Foi uma semana rotineira de muito trabalho. Em momento de despedidas tirei os enfeites de Natal no dia 8, quarta-feira. No jantar desse dia comi ensopado de javali. Na quarta levantei na costureira as calças de bombazina azul acinzentado escuro do Nuno, da cor da atmosfera desta época do ano. Foi ela que me chamou na rua quando me viu a caminho de casa. Vinda do supermercado, depois de sair do autocarro que apanhei à saída do local de trabalho. Aqui está o resultado.


DiárioChatGPT



Gerado artificialmente pelo ChatGPT



Além do diário pedi ao ChatGPT que fizesse um soneto com o mesmo enunciado. Aqui está o resultado.




SonetoChatGPT


Gerado artificialmente pelo ChatGPT


 




Quer o diário quer o soneto criados artificialmente estão em português do Brasil, como é apanágio do ChatGPT. Mas seria possível dar uns retoques, aportuguesar e sofisticar, isto é, adaptar até obter um produto mais personalizado e melhor para ludribiar o próximo.


Há quem diga que a vida levada a enganar os outros é muito mais fácil. Chamem-me ingénua, mas não sou da mesma opinião. Poderão ir mais longe e mais rapidamente, todavia os nós que dão ao cérebro e dignidade e o carácter falso das relações que criam não pode dar vida facilitada a ninguém. Ser aldrabão também dá trabalho, quanto mais não seja a convencer quem rodeia da própria competência e talento.


Hoje o M. fez 11 anos. Esteve cá em casa para a lição de piano com o Nuno. Conheceu o Hino da Alegria e lá conseguiu esboçar umas notas e acordes do quarto movimento da 9ª sinfonia de Beethoven. Daqui a uns anos quem sabe, saberá qualquer coisa de música e tocar piano, sem ficar limitado aos samples ou aos geradores de música artificial mais modernos.


Escrito a 11 de Janeiro de 2025.


 


Obrigada por terem lido. Bom Domingo.