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19/04/2023

Ridícula até ao fim

E sempre volto ao princípio. A acreditar. Num momento de alegre entrega e concretização, de promessa, de riso solto e inconsequente.


Dizem os sábios que os românticos são patéticos. Expõem os pretensos lúcidos os ridículos suspiros e dores incuráveis dos sonhadores. Escondem-se os críticos atrás de suposta capacidade de análise e julgamento da ingenuidade alheia. Como se fossem capazes de se entregar à vida e ao amor. Como se soubessem viver sem calculómetro e amparo de uma sólida e oportuna rede de estereótipos.

 

Uma vida inconstante de tropeços e destemperos entre amarguras e contentamentos, mas uma vida verdadeira no meio de armadilhas e desenlaces honestos. Uma vida estranha aos criadores de figurinos de estilo sapiente que sentenciam ao ridículo tudo o quanto de mais autêntico os apavora. Quão cobarde é a aparente sofisticação. Quanta necessidade de diminuir a verdade cobrindo-a de julgamento hábil despido de sentimento. Quanta necessidade de abafar o amor esquadrinhando um plano perfeito e inteligente no qual tudo se reduza ao aceite na época, em mui razoável contra-cliché a debitar numa qualquer conversa de circunstância entre gente que se tem em grande conta.

 

E sempre volto ao princípio. À dúvida, à dor, à alegria, à entrega e ao riso. Ao amor. E sempre acredito. Até ao fim.