Não cheguei a (in)tencionar manter o desfasamento temporal da publicação dos postais das Comezinhas, que seria uma medida cautelar de grande préstimo. Já sabia que não cumpriria o propósito. Estão quase a acabar os textinhos pré-escritos, pelo que amanhã (em rigor, depois de amanhã) voltarei a publicar o que me vier à cabeça no próprio dia, no próprio momento.
Já outras intenções entraram no rame-rame. Devagarinho, uma mudança aqui outra acolá e a vida vai transcorrendo com salpicos de mudança num mar de mesmice. Às vezes zango-me com o tédio e a permanente derrota no esforço de melhoria. E também com a crueldade da vida. Onde andará o sentido de justiça natural na distribuição das alegrias pelos comuns mortais? Porque será que alguns são castigados com dores irreparáveis? Por mais se esforcem mantendo o ânimo e a cabeça erguida, a lutar e trabalhar por dias melhores e mais felizes? Às vezes, é tão simples sentir e descrever a infelicidade. Por mais que se tenha consciência de existirem sofrimentos maiores. Que mal fizeram ao mundo? Serem decentes? Até esta palavra foi desvirtuada.
Amanhã nada disto interessará. Será segunda-feira. Um dia normal de trabalho, seguido de outros, iguais a tantos que já foram e aos que virão. Depois virá um fim-de-semana que como este acabará. E assim sucessivamente até que a velhice se instale e num dia qualquer ao acaso tudo se reduza a nada.