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13/04/2023

Diário

Medo e preguiça. A ganhar fôlego para um empreendimento de peso. Entre Abril de 2015 e Abril de 2019 escrevi a Ana Paula. Em Setembro de 2018 esbocei numa página A Tília. Ficou parada até Maio de 2019 quando dei umas pinceladas toscas. Nos anos seguintes seja em (poucas) entradas por publicar, seja em postais das Comezinhas acrescentei alguns apontamentos que a servirão. A Ana Paula foi feita por capítulos soltos cosidos a posteriori. A Tília, por incorporar memórias próprias e da minha família, constitui tarefa muito mais difícil. Não só pela noção exacta que tenho de enquanto viver haverá sempre o que acrescentar, o que choca com a vontade de criar e terminar, como também pela delicadeza da exposição, e não minha que a falta de vergonha é patente. A sensação é de cada passo ser dado arrastando grilhões, uns tontos e facilmente deslindáveis, outros mais justificáveis. Apesar destes segundos temores se deverem ao facto da substância ser por um lado motivo de zombaria pelo mundo intelectual e artístico, por outro condenada pela turba reaccionária. Por vezes um e outra coincidem e tudo quanto de útil possa criar para essa miscelânea de público futura é acendalha para desdém, intriga e cusquice leviana. Um desperdício. É um risco.


Mas de que medo falava no início? De enfrentar estes quatro anos de entradas nas Comezinhas para procurar alimento para A Tília. Francamente é uma tarefa que me custa, esta de garimpar para ver se extraio pedaços com valia. Se ao menos visse (voltasse a ver) um todo consistente, saberia o que procurar – dizer isto já ajuda a pensar no processo. São truques da mente. Não sei se será batota construir livros como mantas de retalhos. Afinal tenho aquela ideia romântica do talento do rompante de escrever uma novela ou romance em dias, semanas ou meses seguidos de inspiração. Isso seria escrever à séria. Agora esta procura de peças para encaixar e a perda de noção do fio condutor, faz-me sentir perdida e, sim, diminuída. É certo que não conheço as dores que padecem os que escrevem à séria – e falo dos verdadeiros e não nos vendedores de livros e monos, muito menos procuro conselhos baseados em chavões. Já há uns meses tinha previsto reler as Comezinhas para apanhar as linhas fundadoras e orientadoras. Não é que não saiba intuitivamente quais são ou as suas linhas gerais. Afinal são nada mais do que este umbigo que pensa ainda que tantas vezes raso.


Em suma, mais uma tarefa. Afinal estes dias, semanas ou meses de paragem nas Comezinhas (ainda não decidi, o tempo dirá), servirão para balanço, reorganizar a cabeça e preparar os próximos tempos. E, sim, também para afastar-me do turbilhão, da obsessão doentia de estar sempre a ver as notificações e actualizações que me retira tanto tempo limpo e útil e paz de espírito.


O certo é que há dias dei por mim a pensar que se quero escrever quatro ou cinco livros (nunca sou precisa na contabilidade das intenções) terei de dar corda aos sapatos. Os anos e a vida não esticam. Comecei a Ana Paula aos 41 e dediquei-lhe quatro anos. A Tília (ou A Quinta, vou dando vários nomes) já vai noutros quatro e está longe de ter corpo, encontra-se em pedaços que não sei como vou unir - bem sei que às vezes passam meses sem acrescentar nada. É tarefa para mais uns anos. E isto sabendo que só vou acertar ao terceiro ou quarto.  


Como nota refiro apenas que este primeiro dia de Abril correu bem. Sem mentiras. Além do E o Resto é História de manhã, reentrei no mundo geek vendo um episódio da Teoria do Big Bang depois do jantar. Vi também os dois minutos da série portuguesa Sem filmes, e pus a gravar episódios da Walker: Independence, que não faço ideia se vou gostar. As outras séries e filmes que referi ontem estão a cargo de pesquisa do Nuno. Nadei hoje, Sábado, antecipando a natação do Domingo, e fiz o jantar. E espreitei bastante menos os blogues. Estou em fase de desmame, a ver se quando voltar o faça de uma forma mais ponderada. Hoje portei-me bem. Além de mais, ainda não é uma da manhã e estou a pensar ir para a cama. Só boas intenções.