Há dois dias deixei em pousio as Comezinhas. Precisava descansar. Ainda assim, depois destas 48 horas de sossego, o vício de escrever vai manter-se, mas por algum tempo sem publicação. Possivelmente quando regressar às lides habituais publicarei o que for escrevendo, pelo que terei de não esquecer de tomar nota das datas.
Hoje, dia 31 de Março véspera de Abril, começo o diário das mudanças a implementar (não acredito que escrevi esta palavra) na vida quotidiana neste próximo mês. Uma vez que muitas das alterações passam pelo Nuno, pedi participação na proposta de mudança.
As alterações que pretendo introduzir têm muito a ver com o que fui deixando para trás com o vício dos blogues, antes com a empolgação e o saborear da vida a dois, antes com o vício e obsessão do trabalho fora de horas, antes com o vício da televisão e da pasmaceira e necessidade de descanso das pancadas da vida. Há uma série de pendências. Há anos refiro quase não ver filmes ou séries. Sinto-me um pouco extraterrestre por isso, ao cruzar-me com gente que comenta aquele filme ou aquela série ou actor ou personagem. Enfim, um sem número de referências afastam-me do mundo actual, que é como quem diz distanciam-me do século XXI, marcando-me como fruto do século XX – bem sei que isto não é só penalizante, traz a vantagem do distanciamento sobre os rótulos e chavões dos tempos modernos, prendendo-me por incrível que pareça de modo mais apertado à realidade nua e crua deste século, apesar de desfasada da ficção que nele se impôs. Outra falha que noto é a falta de exercício físico, apesar de nos últimos oito meses fazer natação uma vez por semana, e nos últimos dois meses ter iniciado caminhadas duas vezes por dia de cerca de 20 minutos cada. E ainda quanto a leituras. Nos últimos anos ao receber diariamente as notificações do Observador, se não costumo sentir complexo de espécie alguma por não ler a maioria do que é sugerido, sinto-me em falta nos podcasts e newsletters sobre História de Rui Ramos. Primeiro elenco as falhas, logo direi como suprir.
É certo que há meses falei em alterações nos hábitos alimentares e no mês passado falei na necessidade de mudanças a introduzir aos fins-de-semana. Pareço estar obcecada com novidades. É uma realidade. Lá vou levando a água ao meu moinho. Se não confecciono todas as refeições, pelo menos tenho cozinhado na maioria dos dias, se não faço programa todos os fins-de-semana, aproveito alguns deles para sair ou me divertir. Ainda que não veja os amigos tantas vezes quanto seria desejável, vou falando com eles pontualmente. O que interessa é, como aquele conselho útil para a reforma que aqui referi ter recebido de um ancião, ir impondo tarefas (e tempo para pequenos prazeres, acrescento eu), ainda que não se cumpra parte delas.
Agora, com algum receio do que vá ouvir, por poder não concordar ou dar-me trabalho, vou pedir ao Nuno, sem o ter avisado previamente (até porque nem eu sabia que o ia indagar até há 2 minutos), me diga que alterações propõe na nossa vida. Isto porque as mudanças que pretendo introduzir passam por ele e convém (isto é tudo uma questão de interesse e troca justa de espécie de favores). Diz-me Nuno?
Ele diz que está a ser apanhado de surpresa. Começa por gozar e propor-me aulas de piano. Bem tramadinha estava eu, passariam 15 anos e ainda não teria aprendido do Dó Ré Mi. Propõe-me aulas de Excel. Respondo-lhe que estou a fazê-las por mim, e que ele havia prometido, isso sim, aulas de Matemática. Que as prepare e me dê uma ensaboadela. Discutimos um bocadinho já que lhe digo que não é para ser à toa – que tem de preparar alguma coisa com seriedade. Adiante. Mais. E darmos atenção um ao outro, diz ele. Sairmos aos fins-semanas. De acordo, Nuno. Também a mesma ideia de vermos juntos filmes e séries. De acordo. Ora aqui está todo um programa.
Iniciando nos filmes e séries a ver a partir de Abril. No próprio mês um máximo quatro filmes entre os elencados senão entro em exaustão completa. A escolha recai sobre temas que me e nos interessam: sonhos, mente e um western moderno para matar saudades. E ficção científica para o Nuno. A.I. Inteligência Artificial, de Spielberg; Intersteller, de Christopher Nolan; Mulholland Drive, de David Lynch; O Despertar da Mente, de Michel Gondry; Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson; A Rede Social, de David Fincher e A Origem, de Christopher Nolan. Quase tudo filmes da primeira década deste século por estar em falha apesar de ter visto uns poucos, sendo algumas outras películas dos realizadores referidos.
Quanto a séries apenas quatro atenta a extensão das temporadas da maioria delas. Não vi três, de uma vi episódios soltos ao longo dos anos. A ideia não será ver os 86 ou 60 episódios dos Sopranos ou da Guerra dos Tronos, a menos que fiquemos agarrados por muitos meses a eles (o que não acredito), mas sim conhecer aqueles mundos que me passaram ao lado. Ou seja, ver alguns episódios e passar adiante. A Teoria do Big Bang conheço e gosto e é pura e simplesmente para me divertir. O Nuno não a via, vai gostar de certeza. E a Fleabag, escrita por Phoebe Waller-Bridge, para conhecer por me atraírem as referências feitas.
Em matéria de exercício físico decidi não me meter em alhadas impondo-me uma segunda sessão de natação semanal, por saber que acabaria por não cumprir atenta a dificuldade dos horários. Proponho ao Nuno, dedicarmos o início da manhã de quarta-feira à elíptica. Ou seja, pela fresca, começo meia hora e a seguir insisto com ele, para dar ânimo aos dois. Perguntei se acha bem, ele diz: mas começas tu. Nunca conheci pessoa tão avessa ao exercício físico. Mas também não posso exigir muito, há bem pouco tempo também estava numa preguiça só. Ai, ai, já adivinho onde vão parar as intenções. Ele diz que não, que vou ter que aturar um marido magro. Bom, digo, não é certamente com meia hora de exercício por semana. Ele diz que 15 gramas de gordura a menos já é bom.
Por último o Observador. A nossa ideia é ouvir e ler semanalmente, o programa E o resto é História e a newsletter Perceber a História.
E pronto, são estas as boas e ambiciosas intenções. Concretizando-se algumas delas, já haverá incremento na vida. Ena, incremento e implementar, que parelha aperaltada de palavras, isto é que foi um fartote de botar palradura.