Talvez não houvesse necessidade de dizê-lo, mas cá vai: não tens amores do passado por resolver. Com absoluta franqueza, não queres resgatar lembranças do passado e mesmo que quisesses a natureza fez-te um pouco desmemoriada, pelo que nem terias a que te agarrar fossem belos ou feios esses momentos longínquos. Já te é difícil recordar o palpável quanto mais o afecto sem presença. Quando te referiste em Março ao caso único por resolver, referias-te a tudo quanto rodeia o amor e não o é. Porque esse foi o que foi e deixou de ser há muito. Não existe. Dizes com esta frieza, não por mágoa ou represália, mas por ser verdade.
Tinhas sim o equívoco que o envolvia por resolver e justificada fúria. Não gostas de fazer figura de urso. Não gostas de jogos sujos. Não gostas de mentiras. Posto que o equívoco esteja desfeito, adiante: pedra sobre o assunto que há duas vidas a continuar sem mais empecilhos.