Quanto à questão do assédio sexual há uma evidência que nunca se pode esquecer: apesar de ser um fenómeno comum aos dois géneros - sim, as mulheres assediam -, poucas mulheres se poderão gabar de nunca ter sido assediadas. Essa é a grande diferença.
E se é evidente que é difícil distinguir entre uma tentativa de aproximação ou sedução legítima, que pode ou não acabar numa relação consentida e desejada, e a importunação de outra pessoa por meios esquivos, impróprios e desleais, não é menos evidente que muitos homens - e muitas mulheres - consideram normal o assédio patente e tentam justificá-lo com base em visões distorcidas e maniqueístas da realidade.
Há a acrescentar que não são de desculpar homens e mulheres que são coniventes com o assédio sexual e que apesar de terem conhecimento de assédio patente, produzem afirmações em defesa da honra de homens que não merecem um chavo de consideração por serem uns verdadeiros cabrões ou pulhas, usando e abusando da mentira, da chantagem, da impunidade a seu bel-prazer. Sobretudo, por viverem num país onde – apesar de uma falsa aparência de emancipação feminina, de mentalidade desempoeirada sob o ponto de vista da sexualidade e das vaidades das leituras freudianas - ainda se distingue entre mulheres sérias mães de família e as outras, as putas que são boas para foder e passar adiante.