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15/05/2021

Janelas

Sexta-feira à noite e nada. Nem saber da vida profissional que se avizinha, que pode ser igual a si própria nos últimos anos ou mudar significativamente. Apesar de ter colocado as fichas na segunda hipótese, a roleta deve parar na mesmice. Uma aposta arriscada, mas impus condições que podem inviabilizar o acerto da esfera no número certo, passe a redundância. Ainda assim, o vício de arriscar um pouco, leva-me a ter (infundada) esperança.


A eterna sensação de que a vida está empenada. Se bem que há momentos em que olhando por cima do ombro, vejo que a poeira deixada indica movimento e mudança. Nem por eles dou. É a tal falta de percepção do tempo que passa de que falava a outra. A inconsciência do momento. Do instante.


Um dia de decepções. Mais um. É cíclico. Não é de esperar diferente de quem conheces tão bem como as palmas das mãos. A única surpresa é ainda te surpreenderes com as desconsiderações pontuais. Pode ser que a esperança tenha fundamento e acabem estas, para virem outras novinhas em folha de bandas diferentes.


De resto, a noite trouxe apenas interrogações triviais: de que raio estará a falar fulaninho ou fulaninha tal? Será que percebe que não se pode adivinhar o que não é dito directa e explicitamente? Sim, talvez não seja sequer de falar. Cansam-me as embrulhadas. Sejam trapaça ou não, fico com a sensação de embuste.


Arejo, preciso abrir as janelas. Mudar de janelas. Voltar a dedicar-me às minhas coisas e deixar de dar atenção ao que não faz sentido. Lidar com o palpável e confiável. Escrever para mim, para ficar. Voltar aos dias em que sabia estar a construir alguma coisa, em vez de voltar a esta sensação antiga de corda bamba no vazio. Bah. Xô, sensação má.