
Este livro foi presente de aniversário dos meus 15 anos. Como gostava de ler as crónicas do Expresso de - é uma tentação escrever do, como sempre disse, mas o respeitinho é muito bonito - Miguel Esteves Cardoso, a minha mãe ofereceu-mo em Dezembro de 1988. Nas semanas seguintes levei-o comigo para o liceu. Em rigor, para o Glass, café onde passava a maior parte dos dias. Sentada à mesa com a E., o A. e outros amigos, relia em voz alta - mal, sempre li mal - as crónicas e ria como uma perdida. Bons tempos.
Além do sentido de humor, lucidez e incrível dom da observação, sempre achei luminosa a escrita de Miguel Esteves Cardoso.
Lembrei-me disto a propósito de uma conversa na internet tida há dias com um simpatizante da direita radical e populista – designação refutada pelo interlocutor que se considera tão singelamente uma pessoa de direita conservadora. Dei por mim a dizer frases que não recordava dizer senão aos 14 ou 15 anos quando discutia com amigos e colegas de turma militantes do então Movimento de Acção Nacional e do Partido Comunista - era uma turma muito especial. Para lá dos entusiasmos e voluntarismos juvenis encontrei um mundo de paz inconformada e inteligência na poesia, mas também na prosa de alguns autores como o MEC. Mais uma vez fico com a sensação do carácter cíclico das ideias e opiniões e com a impressão de regresso aos anos 80.