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13/05/2021

Coisas simples

O último par de anos devia ter ensinado que os termos do futuro não estão garantidos. Pode-se tentar ser previdente, mas não partir do princípio que as coisas serão como se imaginam.


Bem sei que a antecipação das dificuldades pode levar a melhor planeamento, mas a realidade tem mostrado que quer a bruxaria económica quer a especulação financeira têm servido apenas para piorar a situação dos cidadãos. A tentativa de beneficiar quem é útil num futuro incerto e a ganância prejudicam os que mereciam melhor tratamento no presente.


Tanto me assusta a criação de novos impostos sobre os ‘ricos’ advogada por certa esquerda, como a resistência ao aumento do salário mínimo (e médio) ou o favorecimento das famílias numerosas por determinada direita. Qualquer destas medidas a longo prazo contribui para a perpectuação e alargamento da pobreza da maioria em favor do enriquecimento de uma minoria. Em última instância conduzem ao aumento do fosso social e económico.


Deve-se agir em função do que está certo em termos absolutos e não de previsões incertas. O que está certo é retribuir na justa medida o esforço ou trabalho de cada um – que se traduz na capacidade inventiva, produtiva e criativa – e apoiar socialmente quem de facto precisa – quem (já) não pode de contribuir.


Há tanta correcção a fazer no presente - é escusado projectar fantasmas do futuro por mais realistas e plausíveis sejam. Não vale a pena enviesar o mundo ao gosto do freguês.