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07/04/2020

Pedras

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Centenas de histórias iguais nos últimos vinte anos. Achas? Acho. Com protagonistas diferentes, mas com certeza centenas, no mínimo. Pareces chateada. E estou. Como querias que estivesse? Normalmente não lembro, mas às vezes a revoada reaparece toda. Foi década e meia sem dar rosto ao nome. Já imaginaste? Todos os cenários eram possíveis: a zona branca ia dos dezoito aos oitenta, do criminoso ao benemérito, do coveiro ao príncipe. Ou princesa, porque até esse susto conjecturei. Supus tudo quanto a imaginação mais desgarrada podia conceber. Um absurdo, uma paranóia. E agora? Passaram uns bons anos desde que sabes. Porque não confrontas abertamente? Não tenho que o fazer. Não percebo, é o que faz sentido. Nada, nada nesta história faz sentido. Sobretudo todo o ruído à volta, que não sabe do que fala e quer transformar uma palermice numa história de cordel memorável ou numa comédia, sei lá. O único sentido possível era o de uma pedra em cima do assunto, com um simples email assinado com verdade, sem mais subterfúgios ou floreados. Qualquer coisa como isto: desculpa; sim, era eu. Ponto final parágrafo. A vida seguiria normal e saudável, sem pedra no sapato para ambos.