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12/04/2020

Os sons matinais

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*


(O juntar de palavras com evocação final de José Gomes Ferreira.)


 


É assim


há dois anos.


Na velha banda


da cidade


atafulhada de casas


valem as árvores


das Águas do Porto,


as varandas


ocupadas por gaiolas


e, nas traseiras,


o jardim


da moradia vizinha.


A orquestra


começa cedo,


breves


e desentoadas


as gaivotas


zarpam


para o mar;


nem todas


para mal


dos nossos pecados.


Logo depois


fica o chilrear


delicado, doce


e bem conversado


de ramo para ramo


da passarada mais miúda,


pardais e boeirinhas


e talvez pintassilgos;


há muito pano


a passar a limpo.


No meio de tudo


o cucurru


destacado


da rola-da-Índia;


diz o dono


da casa


que é bicho


muito manso.


Não sei,


Toda a passarinhada


me parece


caída do céu.


Ou no céu,


quando morre,


como diria o Poeta.