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Bastam segundos,
derruba
toda a bondade
e beleza
da alma
da mão singela
que desenha
o pingo doce
do estame
da flor,
o bem-querer
batido
no peito,
a solta
dádiva.
Carregado(a)
de palavras azedas,
ingratas
e sarcásticas,
destrói tudo
à passagem.
Sonha-se
grande trabalhador(a),
benfeitor(a),
sacrificado(a);
o(a) realista,
escanção
dos factos,
escansão das
palavras,
crítico
dos afectos.
O(A) eloquente
orador(a) e negociante
da praça do verbo
orgulhoso(a)
dos seus mil
amigos do peito,
todos próximos,
íntimos,
autênticos
e dos outros mil
enormes feitos.
E não perde
um momento
a notar
no que foi
e é dado.
Afoga
a verdade
da solidão,
esconde a úlcera
desfeada
da vergonha.
Os gestos
de generosidade
dos outros
- os que não
rendem juros
do verbo emprestado
na praça da vaidade -,
estorvam
a dúbia imagem
de herói(na)
e anti-herói(na)
para si
criada
e espalhada.