
Foram os imbecis, tresloucados, alucinados que há quase vinte anos alertaram para os crimes cometidos na Casa Pia, contra quem dizia: não, não, credo. Que horror. Vão-se tratar. Quando muito há miúdos mentirosos de vida sebenta que a troco de dinheiro denunciam abusos sexuais que imaginam. Com certeza os juízes que julgaram e condenaram os denunciados são todos tresloucados também. Devem fazer parte da cabala contra o partido.
Foram os tresloucados que há quase vinte anos começaram a alertar para as negociatas obscuras do Banco Espírito Santo. Devem ser alucinados que defendem as teorias de Terra Plana os que chamavam a atenção para facto do banco estar envolvido em toda a trafulhice possível, nomeadamente, em negócios com o Estado. Contra todos os que bradavam: é uma cabala de invejosos e gente esquisita com conversa de café.
Foram os alucinados que chamaram a atenção para o caminho sujo de corrupção em corrupção de José Sócrates e seus apaniguados. Para o endividamento desmedido e para o descalabro do País. Mais uma vez. Não, não, as vozes sensatas só viam horríveis julgamentos em praça pública.
São os alucinados do costume que chamam a atenção para o absurdo das negociatas da EDP com o Estado e para a soberba insultuosa do seu presidente. Malucos, só podem. É apenas o mercado a funcionar dizem os sensatos.
São os loucos do costume que estão a chamar a atenção para o excesso de autoridade venha de que quadrante ideológico vier. Já os sensatos só admitem se virem autoritarismo de um lado. É uma questão de perspectiva muito selectiva.
São os doidos que chamam a atenção para o lamaçal avassalador de informação e o sensacionalismo que empola a realidade e faz tábua rasa de todas as explicações lógicas para a realidade. Mas os sensatos não vêem sensacionalismos, só vêem realidade aterradora e recusam e ridiculizam qualquer explicação razoável para os diversos fenómenos.
Os sensatos foram bafejados pela sorte. A sorte da cegueira voluntária, de se manterem muito confortáveis a boiar na calmaria do mar sereno. A sorte de nunca verem nada do que se passa à sua volta, senão passados anos. E nessa altura são bem capazes de dizer: bem me parecia, bem que desconfiava, mas não me queria misturar com essa gentalha esquisita dos alucinados.
Como alguém me dizia outro dia, não vale a pena metermo-nos em frente ao comboio em andamento, é deixá-lo abrandar e ir calma e moderadamente chamando a atenção para os absurdos. Mas com franqueza, estou um pouco farta de levar com os insultos dos sensatos da treta que cobardemente continuam a preferir não ver a realidade.
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Comentário do Nuno: se vais por aí vais perder likes. ;)