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Vozes
efémeras
as que se mantém
sempre à tona,
constantes -
surdas à razão -,
do lado do poder
seja ele qual for
e a que preço for.
Apartadas
das vidas passageiras
as que conhecem
o sabor e as dores
da liberdade,
e o seu reverso.
Trazem-na vestida,
colada à pele,
suada e esfolada.
Distintas
das vidas atentas
à corda jactante
da força que estica
e volta a esticar;
e avisam –
se ainda há um pingo
de decência:
é tempo
de arrepiar caminho.
Que esse trilho
de desfaçatez
está minado,
não por quem levanta
a voz de alerta,
constante
- e como de costume
é enxovalhado e acusado
de fascista –,
mas pelos calados,
sentidos
e fartos de ser
aldrabados.