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01/03/2022

Vendo parágrafos

Sou muito solidário com a Ucrânia. O Presidente Zelensky é o meu herói. Tenho um orgulho enorme nos valores da liberdade e solidariedade da excelsa União Europeia.
Não faço a mais pequena ideia do que é ter a casa esventrada e os meus filhos, irmãos, pais e amigos mortos, senão dos livros.
Não faço a menor ideia do destino trágico dos ucranianos que continuam a lutar e morrer sozinhos contra o exército do insano Putin.
Nem estou muito para pensar onde tudo isto irá desembocar muito menos quero alertar para o massacre dos ucranianos pelas tropas russas que se avizinha.
Posto isto vou ali tratar da minha vida videirinha: bajular figura amiga ajudando-a a vender a sua banha da cobra de modo a que como paga me promova numa das suas chafaricas e isto apesar de saber que se trata de personagem criminosa, preencher como quem lava os dentes a quota diária de intriga política maldizendo quem estiver a jeito no momento para enaltecer a minha imagem de grande democrata e alimentar o meu ego e pasto de seguidores, cravar um punhal retórico ou fazer chacota de fulano antipático e digno que atrapalhou a escalada ao poder dos tipos a quem devo favores profissionais, tratar de redigir mais um texto elogioso sobre as qualidades intelectuais e morais dos amigos de ocasião que tudo fazem por um cargo no Governo, instituição pública ou privada de prestígio ou empresa privada de que me possa servir mais tarde.
Ah, é verdade: vendo textos redigidos em distinto e inatacável português oportunista pleno de carácter, honradez e solidariedade a 100 euros o parágrafo. Aceito pagamento no género de maior valor transaccionável nos dias correntes: visualizações e likes. Vivo disto.


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É, hoje estou azeda e farta de hipocrisia.