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10/03/2022

Ego malogrado

O hiato entre o idealizado e o concretizado é a justa medida do desfasamento. Há momentos em que o implacável e solitário aquém surge esplendoroso. Brilhante, sim. Não é erro na escolha do vocábulo. O impacto inelutável do fracasso também resplandece. A nudez da derrota pode ter mais força do que a fácil exibição do troféu. A falta de vergonha na assunção do falhanço pode ser vigorosa, um acto de coragem. Aliás, será vaidade? Não se confunde com a derrota romanceada e bem cobarde criada à medida da ganância no comércio de delírios livrescos.


Não falo da guerra, mas de um ego malogrado.