Ainda não é desta que termino o primeiro Espanador. Falta-me a Nova Zelândia e confesso que não tenho apelo especial para escrever sobre a terra da grande nuvem branca. Hoje estive nas leituras prévias, mas não consigo espremer nada para que saia um postal que me contente. No caso da Coreia do Norte já tinha feito as leituras há dois meses, mas quando o disco pifou fiquei sem as notas que tinha tomado desde a pré-história. Acabei por isso por me limitar ao século XX.
Estive a congeminar e o próximo Espanador vai incidir sobre países europeus, precisamente aqueles sobre os quais se parte do princípio tudo saber quando, se formos francos, há grandes lacunas de conhecimento sobre aspectos básicos. Como é meu timbre admito a ignorância e estou com vontade de me dedicar à história da Inglaterra e do Reino Unido.
Em novita engoli a enciclopédia geográfica, tendo estudado a história de todos os estados independentes existentes à época, mas ninguém dirá. Repito uma vez mais aquilo que já aqui disse variadas vezes: tenho memória de peixe. Dificuldade em reter na memória o que absorvo. Cada um é como cada qual e não há como insistir. O Espanador é uma forma de me obrigar a fazer leituras sobre aquilo que me interessa e escrever os postais em regra um exercício de puro gozo ao mesmo tempo que fico na expectativa de reter informação útil sem a pretensão dos registos de grande desenvolvimento e aparente profundidade tantas vezes absolutamente desinteressantes e artificiais - excluo naturalmente os casos dos verdadeiros conhecedores que conjugam a capacidade de penetração e aprofundamento da história com capacidade analítica e verdadeira aptidão para estruturar o pensamento. Fora destes casos o pretenso conhecimento repele-me, sobretudo, quando anda de mãos dadas com a doutrinação e revela a pequenez espiritual dos autores. É caminho por onde não tenciono enveredar nunca, a menos que perca o juízo e o amor-próprio.