Há uma linha ténue entre a opinião válida e fundamentada e a expressão fútil de posição ou manifestação de ego. Independentemente da qualidade e eficácia da forma de discurso - da retórica -, da facilidade e sucesso com que a retórica é vendida. No caso da futilidade a tomada de posição contra visão diferente pode não representar nada além da necessidade de aconchego de mantras de tribo. É-se impelido a comentar pela excitação do jogo de facção face à celeuma do momento - à qual nunca se resiste. É-se a favor ou contra determinada preposição por se ser roxo ou amarelo e estas cores determinarem que se faça tábua rasa de tudo quanto é razoável e vertical para defender a posição de gueto. Muitas opiniões não passam deste estágio e são apanágio de muitos ilustres das gavetas arrumadas da nossa praça. Já o ego impõe a cegueira por vedetismo. Tem-se determinada posição por se tomar por brilhante, moral e intelectualmente superior e ver o mundo numa perspectiva inacessível à ralé.
Para este tipo de opiniões - às vezes cumulam - não há paciência. Ainda que por simpatia e sob a perspectiva do resultado se aproximem das posições fundamentadas não deixam de ser farsas.
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Adenda.
É neste contexto que surgem os linchamentos diários de opiniões reflectidas e sensatas, mas menos apelativas. Para os excitadinhos de sucesso nada é visto numa perspectiva realmente humana, isenta e de longo termo. O que interessa é o clima de guerrilha - é isso que vende: o afogadilho.