As paixões passam: vividas e devaneadas. Consomem o que têm de melhor, os ímpetos, os sonhos, a vontade. Labaredas descontroladas não se compadecem do razoável e conveniente. Bem pode dizer que é perda de tempo, que é de todo inadequado ou mesmo nocivo, mas entrega-se em silêncio ao homem ou à ideia de um homem, imprudente, de mãos abertas, sem freio, absorvendo o mundo que ele transporta. Eis que o tempo vai passando, depara-se com ilusões e enganos. O fogo vivo faz-se brasa mais quieta. O assomo de realidade, de contrariedades, de pé no chão faz-se abafo. A brasa dos sonhos desencantados amorna até se transformar em cinza para adubar um coração mais sofrido, mais rico. Saiba ele fazer chegar à mioleira o que aprendeu.