Are there more wheels or doors in the world? Why we can’t resist an internet debate, no The Guardian.
Extrapolando o teor deste artigo sobre magnas questões como a cor do vestido, as calças do cão ou se haverá mais portas ou rodas no mundo, alargando os temas em debate à política, à cultura, ao futebol e a tantos outros assuntos, pergunto-me inúmeras vezes nos últimos anos que sentido fazem muitas das discussões alimentadas artificialmente não só na internet como também na comunicação social tradicional. É tentador (sei bem, por experiência própria) discutir por mero exercício de argumentação. O jogo de retórica acaba por ser usado para fins não só fúteis como absurdos. Creio ter escrito há dois anos aqui nas Comezinhas um postal sobre as novas lavadeiras: alusão aos tanques públicos de lavagem de roupa suja frequentados por uma nova população. Os sujeitos que hoje ocupam os lavadouros públicos são as elites ascendidas ao mainstream político-cultural e futebolístico português e seus seguidores mais devotos, sendo patente - dada da inconsistência dos indivíduos dos dezoito aos oitenta que o compõe apesar de todo o parlapiê - a confusão entre debate público e mexerico ou inconsequência. O que singra é o engraçadismo e a má-língua. O objectivo da troca de bitaites sob pretexto da liberdade de expressão e defesa do pluralismo de opinião resume-se à disputa por fracção de audiência, por nesga de protagonismo e influência. E se tem sido assim em tempo de paz, temo que não haja pudor em usar a guerra como pretexto para mais intriga.
(e ela a dar-lhe.)