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12/03/2022

Recapitulando


Em vez de retomar a série Espanador com os prometidos postais sobre a Coreia do Norte e a Nova Zelândia (ambos em banho-maria), vou prosseguir com um regresso à Ucrânia - tema quase único nos dias que correm, a contrastar com a indiferença geral desde 2014 dos agora muito indignados - na sequência das notas que fui fazendo no ano passado. Espero tê-lo pronto ainda este fim-de-semana.








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A ler


por Isabel Paulos, em 18.04.21


 


No The Guardian, o quotidiano na pequena cidade fronteiriça ucraniana Marinka, que se prepara para a invasão pelas tropas russas.


No Observador, o apelo do Papa ao fim das tensões entre Rússia e Ucrânia, lamentando a violação do cessar-fogo e o aumento do contingente militar russo.


Em suma, é oficial e a invasão fatal como o destino.









 


O espanador - Rússia e Ucrânia


por Isabel Paulos, em 04.04.21


 


espanador.jpg


 


10. Rússia e Ucrânia (e a Iniciativa dos Três Mares)


Em Março de 2014 foi assinado, pela Federação Russa e representantes da Crimeia, o Tratado de Anexação da República da Crimeia, cujos territórios fizeram parte da Ucrânia entre 1954 e 2014.


A Ucrânia não reconheceu a anexação e a independência da Crimeia. O Conselho Europeu e a Comissão Europeia também não. A Assembleia Geral da ONU aprovou uma Resolução declarando ilegal o referendo que conduziu à anexação.


Há 3 dias, militares ucranianos denunciaram a Rússia por agressão no leste da Ucrânia e de violação do acordo de cessar-fogo, com registo de morte de soldados ucranianos. Acusam os russos de estar a penetrar com as suas tropas nos territórios separatistas com o pretexto de proteger a população local, a quem dão suporte político e militar desde 2014, apesar de Moscovo negar.


Os admiradores de Moscovo referem-se aos separatistas como populações que se insurgem contra o golpe de estado fascista de 2014. Aludem ao afastamento do antigo presidente Yanukovych, que recusou o acordo de associação política e económica com a União Europeia, preferindo estreitar laços com a Rússia. E aos confrontos violentos que opuseram os manifestantes defensores do alinhamento pela Europa e as polícias. Processo que desembocou nas eleições em Maio de 2014, que elegeram Petro Poroshenko.


As forças norte-americanas estacionadas na Europa estão em alerta face a potencial crise iminente.


Paralelamente, desde 2016, está em curso um plano geopolítico designado Iniciativa dos Três Mares entre os países situados entre o Mar Báltico, o Mar Adriático e o Mar Negro, (Áustria, Roménia, Bulgária, Eslovénia e Croácia, Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa, Eslováquia, Hungria), cujo propósito é, segundo os promotores, beneficiar a zona dos níveis de desenvolvimento europeus criando através de infra-estruturas digitais (comunicações), de transportes (rodoviários e ferroviários) e da energia um corredor de acesso ao mar de norte a sul. Os financiadores dos projectos serão além da União Europeia e dos E.U.A., a China. Nem todos os países europeus são entusiastas deste projecto e a Rússia acusa a Iniciativa de representar interesses norte-americanos na Europa.



 

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