
Talvez não seja má ideia nestes tempos de afogadilho, de tentações e provações mesquinhas, de palavras e actos pouco edificantes, procurar dar o sentido correcto a toda essa pequenez, permitindo sentirmo-nos minúsculos grãos na engrenagem. Olhar a Lua Cheia costuma ajudar. Sei que está nublado e a sua magia não se vê senão na ténue claridade que transparece do breu em que parecemos todos embrulhados. Mas sabê-la lá no nascimento e na morte, no antes e depois de um amor, no permanente além humano, que transforma a razão e o sentimento coisa tão pouca e preciosa, é quanto baste para sobrevivermos em união com a natureza e não nos imaginarmos sós.