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Nos últimos dias, além do sol morno de Outono, a suave brisa - uma aragem noroeste -, vem à janela amenizar os dias de trabalho. Tudo fica mais leve e gracioso. E eis que, sentada na secretária frente à luz, levo com o sol na tromba -, qual lagarta parda que esverdeia na pedra quente. E, ao acabar de escrever isto, o quase absoluto silêncio - estorvado por pouco mais do que murmúrios do lavar de loiça do almoço noutro prédio, da impaciente buzina, do ronco a motor dos carros na rua ou esparso avião no céu e, lá longe, da serra de metal - é quebrado, logo aqui perto, pelo latido forte e agudo do cão que mora debaixo da estranha espécie de eucalipto que vejo da janela. Sinto-lhe as patas nas folhas secas sobre a tijoleira, e invejo-o. Os pássaros, que aqui habitaram a Primavera, foram. Mas voltarão. Assim, com a cadência dos anos que passam.