Percorrer a mesma estrada segunda vez. Recordar o negrume. A solidão no risco, quando te encontravas desamparada, à mercê da mentira e do engodo, sem apoio de espécie alguma, salvo a centelha da lembrança no aconchego dos que te queriam bem. Estragos da confiança na humanidade - que julgaste irreparáveis -, são recuperados passo a passo, ao palmilhar o caminho segunda vez, mas com a consciência de não estares só. E de que ainda que estivesses, não estarias. O que te pareceu paranóia e mania da perseguição era tão só constatação da pilhéria e canalhice. O silêncio, a permanente incerteza e posteriormente o benefício da dúvida condenavam-te ao cárcere. A incapacidade de julgar e condenar em definitivo a pulhice como tal, permitiu que não fosses livre.