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08/10/2020

É tudo nosso.

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Ao escrever sobre a questão do Tribunal de Contas a dificuldade é não dizer a direito o que os intervenientes merecem seja dito. Prova provada de que quem tem razão é a voz popular ao desistir de acreditar em quem quer que seja na política portuguesa.


Enquanto seguimos cuidadosos - no temor de ser injustos -, este governo vai dando testemunho de que a marca d’água dos socialistas - o amiguismo, o à vontadinha medíocre e a corrupção – prossegue impante. Já aqui havíamos dado o alarme – a propósito da não recondução de Joana Marques Vidal para a PGR e da nomeação de Lopes da Mota para adjunto no ministério da Justiça -, para que se estava a desenhar uma tendência, com o beneplácito do embusteiro mor da actualidade – há sempre um maestro do trambique.  E já tínhamos reparado, em Fevereiro último, na desfaçatez do Benjamim da alcateia – já ungido no Bilderberg - em matéria de TdC.


Uma olhadela rápida pelas últimas notícias sobre a não recondução de Vítor Caldeira para a presidência do TdC e do nome de José Tavares  e suas hábeis competências no redesenho das compensações adiccionais e extra-contratuais – e ilegais, diga-se en passant - no domínio das PPP a beneficiar as concessionárias deixam a nu tudo quanto é preciso perceber nesta matéria.


De resto, sobra a constatação da peneira rota na presidência da República que assiste a tudo impávido e sereno, não vá acabar o namoro com o governo que garante a reeleição por ampla votação. Admito que tenho que refrear a fúria sempre que oiço Marcelo Rebelo de Sousa dizer que é de saudar o regular funcionamento das instituições – nomeadamente dos Tribunais. Ainda não o disse esta semana, mas presumo que não faltará muito. E Rui Rio que segue as pisadas do PR na motivação. Todos tratam da sua vidinha e ninguém trata do Estado - sempre a arder, sempre a perder.


Pergunto-me de que adianta ver os ataques apoplécticos de José Gomes Ferreira na SIC – coberto de razão –, ou as fúrias de blogueres inconformados com a desfaçatez na vilanagem? Já todos vimos o filme antes – há 14, 22 ou 30 anos. Alguns de nós barafustamos e podemos continuar a fazê-lo sem que nada mude. O País segue igual a si próprio a eleger esta gentalha para nos governar. Ao rever as películas já só temos curiosidade num detalhe ou outro e, admito, numa diferença. À medida que o tempo passa e quando se julgaria que o escrutínio seria maior e por isso os comportamentos desviantes mais temerosos, notamos precisamente o contrário: o absoluto à vontade de quem se marimba na lei e na decência. Vale tudo, porque ser socialista em Portugal significa ter as costas quentes, logo, ser impune. E o lema: é tudo nosso.