
A necropolítica da conveniência: uma crónica parcial, de Jaime Nogueira Pinto, no Observador.
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«O que fizeram na Rússia, desde Lenine até Estaline e seus sucessores, em grande escala. Os números variam: Robert Conquest, autor de The Great Terror, põe o número de vítimas em 15 milhões; outros autores vão até aos 60 milhões, para todo o período de 1917-1987. De qualquer modo, é muito morto para passar despercebido num inventário necropolítico.»
«Mao Tsé-Tung procedeu também a execuções maciças de “contra-revolucionários”, seres menos clarividentes e de vistas mais curtas, dos quais deve ter executado uns dois milhões, logo no início da tomada de poder. Para realizar a reforma agrária, eliminou mais uns 50 milhões de renitentes agricultores. O Grande Salto em Frente e as fomes que causou – somadas aos horrores da Revolução Cultural, celebrada pelos esquerdistas europeus – devem ter elevado o número total de vítimas do maoismo aos 80 milhões de pessoas. O ensaio sobre a necropolítica também não dá por elas.»
«Outro importante genocídio comunista foi o praticado no Camboja pelos Khmers Vermelhos, apoiados por Mao e pelo Partido Comunista Chinês. Na segunda metade dos anos setenta, inspirados nos princípios igualitários da Revolução Cultural, os Khmers mataram entre milhão e meio e dois milhões de Cambojanos, cerca de ¼ da população, o maior genocídio em ratio mortos/habitantes. Os pormenores dos horrores cambojanos podem rivalizar com as piores narrativas dos campos de morte estalinistas e hitlerianos. Mas a narrativa necropolítica também os esquece.»
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